VÁ REZAR ESSE MENINO –

“Esse menino está com ‘olhado’”. Era assim que minha querida sogra Carmita dizia. Ordem dada e, lá ia eu e Cléa levar o menino para a benzedeira Da Maria. Ficava ali próximo da Av 4, no bairro do Alecrim.

Bastava o menino tá mocorongo, desanimado, olhar disperso, sem fome, dormindo mal, alvoroçado, dor disso ou daquilo, que o remédio era o benzimento.

Certamente a benzedeira apropriou-se da promessa de Jesus que, aos discípulos, deu-lhes poder e autoridade para expulsar todos os demônios e curar doenças, e também, em nome Dele, cura espinhela caída e afasta toda a espécie de quebranto.

A rezadeira para curar uma pessoa doente, utiliza sobre ela gestos do sinal da cruz tendo à mão alguma erva, ao tempo em que discorre uma prece com os poderes de ir curando cada órgão que carece de restauração.

E funcionava?

Claro que sim. O menino saía ativo, falante, choro contido, novinho em folha.

Pois bem. Agora eu também fui designado pela filha de Carmita para ‘rezar’ os nossos netos. “Taqui as folhas de Pinhão”. Mas Cléa, eu só sei rezar Pai Nosso e Ave Maria. “Nada disso, você acompanhava a reza dos meninos quando eles eram pequenos e, não é possível que tenha esquecido. E avie logo, comece por Arthur”.

Então tá. Fiquei planejando como fazer a reza ao meu modo e, fui em frente.

Com as três folhas de Pinhão, entre as mãos postadas, rezo uma Ave Maria e peço que ela interceda a Deus Pai, em nome do Seu filho Nosso Senhor, que iluminado pelo Espírito Santo, me conceda a permissão para, em Seu nome, curar Arthur e expulsar os maus espíritos.

Fazendo então o sinal da cruz sobre o ‘cristãozinho’ vou dizendo: em nome de Jesus eu ordeno que se afaste dessa criança todos os demônios e que cure o bichinho de todas as mazelas e livre ele de todas as doenças (e tome nome de doença). Repito três vezes (será que é por ter três folhas de Pinhão?). Pronto!

Quando as folhas murcham é porque a reza foi boa e tirou o ‘olhado’.

“Agora reze Olívia”. Mas filha, Olívia não está aqui. “Precisa não: reze pela foto do Whatsapp”. E lá eu pego outras três folhas de Pinhão e começo tudo de novo, agora benzendo o celular.

Cléa, me diga uma coisa: eu não posso benzer logo os dois de uma vez só? “Não. Cada um tem sua reza”.

Quando acabo de rezar Arthur, ele já está dormindo e, percebo que ele dá um suspiro. Não sei se pela cura ou se por eu ter terminado e deixado ele dormir sossegado. Mas que ele foi abençoado disso não tenho dúvida.

E você, já foi rezado ou rezou alguém, tal qual uma benzedeira?

De qualquer maneira, se você estiver com a ‘espinhela caída’ ou ‘dor de viado’, pode me entrar em contato comigo que daqui pra ai eu te rezo.

 

 

 

 

Carlos Alberto Josuá Costa – Engenheiro Civil, escritor e Membro da Academia Macaibense de Letras (josuacosta@uol.com.br)

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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