Ana Luiza Rabelo

Feche os olhos por um segundo e pense que você é uma abelha. Uma abelha operária que possui um ferrão. Com os olhos ainda fechados, lembre-se que, ao ferroar seu “inimigo”, sua existência se esvairá, pois o ato de ferroar vai deixar seu intestino preso ao ferrão e à vítima e, sem isso, fatalmente você será um guerreiro “fora de combate”.

Nem todas as abelhas possuem ferrão, nem todos nós estamos combatendo, logo, só irão ao chão os, por falta de palavra melhor, artilheiros.

Mas, imagine, faça uma imagem clara em sua mente que você é um artilheiro da sua colmeia. O que faria você, mera abelhinha, tornar-se um camicase, um homem-bomba? Pelo que exatamente você sacrificaria tudo o que tem, sua família, seus amigos, seu trabalho e, por que não dizer, seu instinto natural de proteção?

Acho que, nesse instante, acontece o que ouvimos como “toda minha vida me passou pela cabeça”. Acredito ser o mesmo mecanismo, aquele que dá forças para lutar e seguir por si, aquele que dá forças para lutar pelos outros ou por um ideal.

Agora pegue tudo o que eu disse e coloque no liquidificador com a palavra política. Aperte no máximo, olhe aquela sopa e pense de novo: o que fazer, como lutar, como proteger aqueles que amamos?

Crianças merecem escolas? Doentes precisam de hospitais? Transportes, limpeza pública, iluminação, segurança. Isso é para todos ou só para mim que estou na luta, decidindo onde ou quem devo ferroar?

Pense!

Agora pense um pouco mais e, antes de responder, tente imaginar o que se passa na cabeça de todas as outras abelhas. Por que vocês não conversaram, por que não “combinaram o voto”? Por que cada abelha está indo para um lado diferente, lutar por uma causa diferente, quando poderíamos ter juntado ideias e conhecimentos? O que vai ser da nossa colmeia?

Em breve, os “achismos” já terão passado, mas esta é a hora de esquecer um pouco do pão e do circo olímpico e de colocar na arena os nossos candidatos reais.

A grande questão é que não fomos, nem somos, ensinados a lutar como um povo. Até hoje, não existe “o povo brasileiro” existe o descendente disto, o imigrante daquilo, e, até os índios, donos do nosso país, não possuem unicidade suficiente.

Ei, amigo, mas não pense que foi sem querer, que foram os acontecimentos, que foi “culpa da história, do rumo dos fatos”, não. Isso é a definição clara de política: deixe o povo ignorante, às cegas, e faça o que puder em seu próprio proveito.

Estamos vivendo um dos piores momentos da nossa história política, estamos nadando em círculos para criar um redemoinho do qual sairemos arrasados, destruídos ou vencedores. Seres pensantes de uma crescente e maravilhosa nação.

Mas, do ponto que estamos, onde predomina as apologias à indolência, ao desmotivo, à falta de interesse e, surpresa, ao excesso de distrações, precisamos ser fortes para não “deitar em berço esplêndido” sem intenção de dele levantar.

Meu lema, não para as Olimpíadas, mas para o nosso país, é “Já que o gigante acordou antes da Copa, que o ajudemos a trabalhar antes das Olimpíadas! ”

Ana Luiza Rabelo, advogada (rabelospencer@ymail.com)

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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