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Transporte aéreo será reduzido ‘ao mínimo’ se shutdown não acabar, diz governo Trump; 2,1 mil voos são cancelados neste domingo

O secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, afirmou nesse domingo (9) que o transporte aéreo no país será reduzido “ao mínimo” caso a paralisação do governo Trump não termine logo. Segundo Duffy, “a situação só vai piorar” até o feriado do Dia de Ação de Graças, no fim do mês.

Mais de 2,1 mil voos domésticos no país foram cancelados e mais de 7 mil sofreram atrasos neste domingo. As companhias aéreas começaram na sexta-feira a aplicar reduções graduais no fluxo aéreo impostas pelo governo, e milhares de voos já foram afetados.

▶️ Contexto: A paralisação no governo dos EUA, chamado popularmente de shutdown, ocorre quando o Congresso não aprova o orçamento federal dentro do prazo. Com isso, o governo fica sem dinheiro para manter serviços e pagar servidores federais.

  • No centro do impasse está a saúde. Os democratas, opositores de Donald Trump, afirmam que só aprovarão o projeto se programas de assistência médica forem prolongados.
  • O governo precisa de 60 votos no Senado para aprovar o orçamento, mas apenas 53 senadores são do mesmo partido do presidente.

A Administração Federal de Aviação (FAA) ordenou um corte de 4% nos voos desta sexta-feira em 40 grandes aeroportos. A redução deve subir para 10% até 14 de novembro. Duffy disse na sexta-feira que pode determinar cortes de até 20% nos voos conforme a paralisação do governo for se estendendo.

A preocupação é que o caos nos aeroportos dos EUA visto desde sexta-feira piore ao longo dos próximos dias à medida em que o shutdown se estende e o Dia de Ação de Graças se aproxima. O feriado, que cai em 27 de novembro, é uma das datas mais importantes dos EUA e tem o maior fluxo aéreo no país.

“Só vai piorar. Nas duas semanas antes do Dia de Ação de Graças, vocês verão o transporte aéreo ser reduzido ao mínimo. Há muitas pessoas que querem voltar para casa para o feriado, querem ver suas famílias, querem celebrar este grande feriado americano (…) muitos deles não vão conseguir embarcar em um avião, porque não haverá tantos voos disponíveis se o governo não voltar a funcionar”, disse Duffy em entrevista à rede CNN Internacional.

 

Atrasos causados por ausência de controladores de tráfego aéreo afetaram centenas de voos em 10 aeroportos, como Atlanta, San Francisco, Houston, Phoenix, Washington, D.C., e Newark. Até 19h30 (horário de Brasília), mais de 5,3 mil voos tinham registrado atraso, segundo o FlightAware.

No aeroporto que atende a capital, Washington, D.C., o tempo médio de atraso era de quatro horas. Cerca de 17% das operações foram canceladas e quase 40% dos voos estavam atrasados.

Durante os 38 dias de paralisação, 13 mil controladores e 50 mil agentes de segurança trabalharam sem salário. A ausência crescente tem afetado as operações. Muitos controladores foram avisados na quinta-feira (6) que não receberiam pagamento pela segunda quinzena seguida.

O governo Trump tenta pressionar democratas no Congresso a aprovar o orçamento republicano que permitiria reabrir o governo. A possibilidade de grandes interrupções no setor aéreo faz parte dessa pressão.

Já os democratas dizem que os republicanos são responsáveis pelo impasse por se recusarem a negociar a extensão dos subsídios de saúde.

Duffy disse a jornalistas que pode exigir cortes de até 20% se a situação piorar e mais controladores faltarem ao trabalho. “Eu avalio os dados”, afirmou. “Vamos tomar decisões com base no que vemos no espaço aéreo.”

Caos nos aeroportos

Os cortes começaram às 8h (horário de Brasília) de sexta-feira e incluem milhares de voos das quatro maiores companhias aéreas — American, Delta, Southwest e United. A redução deve subir para 6% na terça-feira (11) e chegar a 10% até 14 de novembro, caso a paralisação continue.

A governadora de Nova York, Kathy Hochul, publicou a foto de um painel de voos cheios de cancelamentos. “O shutdown republicano parou os EUA — bem na época de fim de ano!”, escreveu.

No início da semana, o administrador da FAA, Bryan Bedford, disse que entre 20% e 40% dos controladores têm faltado ao trabalho diariamente.

American Airlines diz que novos cortes serão “problemáticos”. O CEO da empresa, Robert Isom, afirmou que não espera um impacto significativo imediato para passageiros com as reduções ordenadas pelo governo, mas disse que o efeito tende a aumentar.

A American informou à Reuters que cancelou 220 voos nesta sexta-feira, afetando 12 mil passageiros, e que conseguiu realocar a maioria em poucas horas. Menos voos devem ser cortados no fim de semana, quando o volume programado cai.

A United disse que metade dos passageiros afetados conseguiu ser realocada em até quatro horas. A empresa cancelou 184 voos nesta sexta e prevê cortar 168 no sábado (8) e 158 no domingo (9).

Duffy havia anunciado na quarta-feira que os cortes seriam de 10% já nesta sexta. Mas a FAA decidiu começar com 4% para reduzir o impacto.

Segundo Duffy, dados de segurança motivaram a decisão, incluindo registros de aeronaves que não mantiveram distância adequada e incursões em solo.

A FAA também está restringindo lançamentos espaciais, e autoridades afirmam que podem cortar até 10% dos voos de aviação privada em aeroportos de grande movimento. Voos internacionais não são afetados.

Fonte: G1

Ponto de Vista

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