TODOS TÊM UMA RESPOSTA… –

Somos contemporâneos de um fenômeno, se não estranho, bastante curioso. De repente passamos a ter “respostas” para tudo. Em muitas ocasiões sem nem a pergunta ter sido feita. É uma profusão de “explicações” para isso ou aquilo, sem o devido cuidado ou atenção para o conteúdo e, certamente, sobre a pertinência entre uma e outra.

Cada indivíduo tem a sua resposta pronta para qualquer ocasião. Basta alguém enveredar por um assunto, para que as respostas surjam e sejam defendidas como únicas e verdadeiras. “Eu sei o que estou dizendo”, reforçam para dar um cunho de especialista.

Parece que a discussão salutar, o contraponto das idéias, a análise e a reflexão cederam seus lugares a espíritos combativos, polarizados, impositivos até, onde os fatos e o contexto, não podem interferir no “meu” ponto de vista, e menos abrir espaço para ouvir também o outro.

Ser mediador de um debate onde o tema posto é líquido e certo, não admitindo contraditório, uma vez que o assunto da pauta é notório e “secular”, parece fácil.  A ‘peleja’ abre margem apenas para observações a partir de descobertas que ainda não foram popularizadas. As perguntas e as respostas parecem já prontas, bastando apenas acioná-las.

Agora, quando o debate é sobre um tema no qual ainda não estão esgotadas todas as perguntas e, uma vez formuladas com inteligência, aí sim, mediar é equalizar para um final, mesmo com as divergências, que levem os presentes a refletirem e decidirem, a partir de suas conclusões.

A vida de cada um de nós é feita de perguntas, e como tal, não podemos tomar como nossa as respostas de vida dos outros, pois elas certamente são diferentes, por sermos diferentes uns dos outros.

Estamos vivendo um período em que desaprendemos a fazer perguntas inteligentes, que delas se desdobrem outras que cumpram a função “cebola” onde, cada “casca” conversada e compreendida, vá nos conduzindo para o entendimento amplo, sem no entanto, perdermos a nossa convicção. Isso não significa e nem impõe o que o outro quer que aceitemos, mas que a maneira como foi abordada faça-nos retomar o nosso, até então, único entendimento e, dentro dos princípios formados pela vivência, pela ética, pelo respeito ao direito do outro, possa enlarguecer o nosso modo de encarar tal fato apresentado com roupagem mais ou menos colorida.

Lembram das perguntas que fazíamos quando crianças? Nelas as respostas eram entendidas, pois delas nada derivavam para outras disfarçadas de capiciosidades.

Hoje, temos quer ter o cuidado em saber o que vamos perguntar, a quem estamos perguntando e da liberdade que o indagado tem para responder.

Tenho percebido que em alguma das vezes, o que interessa ao indagador não é a primeira resposta, mas aquela que trajada de interesses advém de uma segunda pergunta. Julgamos que perguntas e respostas são separadas quando, na verdade, elas se inter-relacionam. Estão ali, de mãos dadas, embora possas estar de cara feia uma com a outra.

As perguntas que os escribas e fariseus faziam a Jesus nunca eram diretas. Elas escondiam as artimanhas para a segunda pergunta ou ainda para respostas dadas sem aqueles segundinhos mágicos de reflexão sobre a articulação da resposta.

Assim, somos boa parte de nós, hoje.

Perguntamos maliciosamente e respondemos insatisfatoriamente.

Sabemos que certas perguntas não merecem respostas, mas do mesmo modo sabemos que algumas não podem ficar caladas, resmungando em nossa alma.

Quando perceber que certas perguntas são traiçoeiras responda de forma incompleta, para que nesse jogo de gato e rato, você tenha tempo de desarticular a ratoeira da maldade.

O antropólogo Roberto DaMatta, nos diz: “A resposta dadas às grandes perguntas são suas imagens invertidas”.

08 Portanto exercitemos perguntas inteligentes e respostas conscientes e verdadeiras.

 

 

Carlos Alberto Josuá Costa – Engenheiro Civil, escritor e Membro da Academia Macaibense de Letras (josuacosta@uol.com.br)

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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