TERRA BRASILIS –

Tal qual o presidente José Sarney que popularizou em seus discursos a saudação, “Brasileiras e brasileiros”, eu aqui o imitarei, perguntando: “Brasileiras e brasileiros, o que será do nosso país após Daniel Vorcaro pôr a boca no trombone mediante uma delação premiada?

Isso mesmo, Vorcaro, ao que se leva a crer, após não se sentir à vontade trancafiado na Penitenciária Federal de Brasília, fazendo companhia a figuras notórias do crime organizado como Marcola, Beira-Mar, Nem da Rocinha e Marcinho VP vai esclarecer como se processou o maior crime contra o sistema financeiro da história do Brasil.

A bateria de advogados que lhe dá assistência jurídica já conseguiu livrar o abonado cliente das más companhias de xilindró transferindo-o para a Papuda, presídio da Polícia Federal, local menos perigoso para o contraventor de casaca. Logo ele um cidadão acostumado ao luxo e regalias inalcançáveis para a maioria de nossos patrícios, vivendo naquele antro? Jamais!

O termo de confiabilidade para a delação premiada já foi assinado em concordância com a PF e a PGR, permitindo que as negociações avancem em vista a homologação. Gente, o estouro pode ser grande e o fedor ainda maior no país se nada, absolutamente nada, for acobertado.

A frase “Cada povo tem o governo que merece”, atribuída ao filósofo Joseph de Maistre em 1811, sugere que os governantes são um reflexo da cultura, comportamento e escolhas eleitorais da sociedade. A ideia central é que os cidadãos são responsáveis pelos seus líderes, pois o governo legítimo emerge da vontade popular.

Quão salutar se praticássemos tal regra! Que bom seria se grande parcela de votos sufragados não fosse de cabresto nem comprado ou trocado por um milhar de tijolos, ou sacos de cimento, ou simples feira de produtos naturais para suprir uma necessidade momentânea. Retrato esse que emoldura a política do nosso Brasil há décadas.

Se fôssemos um país de povo esclarecido, alfabetizado ou sem complexo de vira-lata como insinuou o dramaturgo pernambucano Nelson Rodrigues, talvez escolhêssemos melhor nossos dirigentes. Acontece que ninguém pensa igual e nem todos se baseiam na razão e na lógica ao selecionar seus candidatos.

Mais uma disputa eleitoral se aproxima e, certamente, os políticos que forem apontados como cúmplices nos desmandos de Vorcaro tentarão reeleições e, outra vez nos cargos cometerão os mesmos delitos se novas oportunidades surgirem, porque a ilegalidade já está impregnada no âmago de cada um deles.

Não à toa Mário de Andrade escreveu Macunaíma, personagem que é uma metáfora da identidade híbrida e inacabada do povo brasileiro, com tom pessimista e irônico. Um herói sem nenhum caráter, preguiçoso e mentiroso, agindo de conformidade com a conveniência. Até quando aceitaremos conviver com nossos macunaímas é uma incógnita.

Prefiro acreditar na brincadeira do Papa Francisco, quando de sua viagem ao Brasil em 2013, exclamou: O papa é argentino, mas Deus é brasileiro! Porque somente a mão divina poderá traçar um destino melhor para a nossa Terra Brasilis.

 

 

José Narcelio Marques Sousa – Engenheiro civil

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