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‘Superfungo’: Primeiro caso de Candida auris em Pernambuco foi descoberto em exame de rotina, diz microbiologista

Hospital da Restauração fica localizado no bairro do Derby, no Recife — Foto: Everaldo Silva/TV Globo

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou, na terça-feira (11), o primeiro caso em Pernambuco do Candida auris, “superfungo” resistente a medicamentos responsável por infecções hospitalares. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), há outros dois casos suspeitos em investigação laboratorial.

Os pacientes foram diagnosticados após serem internados no Hospital da Restauração, maior unidade da rede de saúde pública de Pernambuco, localizada no bairro do Derby, na área central do Recife, durante exames de rotina. Segundo a Anvisa, a confirmação representa o terceiro surto de Candida auris no país.

De acordo com a SES-PE, o exame de urina do homem de 38 anos levantou a suspeita e, por isso, a amostra foi encaminhada para o Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (Lacen-BA), que confirmou a presença do fungo na segunda (10).

O paciente de 38 anos, que teve resultado laboratorial positivo para Candida auris, deu entrada no HR no dia 21 de novembro, na emergência de traumatologia, e teve alta no dia 30 de dezembro. Foi identificado que, apesar de ter procurado atendimento por outro motivo, homem estava com o fungo.

Os outros dois casos suspeitos ainda não foram confirmados. Um é de uma mulher de 70 anos atendida no HR também por outras causas. Admitida no dia 24 de novembro, ela morrei no dia 5 de janeiro.

O terceiro caso suspeito é de um homem de 46 anos, também admitido pela emergência de trauma por outra causa no dia 13 de dezembro. Ele está na UTI e não apresenta nenhum sintoma relacionado à infecção pelo fungo.

As amostras dos pacientes foram enviadas ao Laboratório de Saúde de Pernambuco (Lacen – PE) e ao Lacen Bahia.

De acordo com o epidemiologista George Dimech, assessor técnico de Vigilância em Saúde da SES-PE, os três pacientes foram isolados assim que foi detectada a suspeita da infecção da Cândida auris.

Identificado pela primeira vez no ouvido de uma mulher japonesa em 2009, o Candida auris é um fungo emergente de difícil diagnóstico quefoi identificado em diferentes locais do mundo.

Como é resistente a praticamente todos os medicamentos existentes, passou a ser classificado pelos especialistas como um “superfungo”. Sem uma análise especializada, ele pode ser confundido com vários outros tipos comuns.

“Esse fungo é resistente a maioria dos medicamentos fungicidas para tratamento da maioria dessas ocorrências. Ele é um organismo emergente que há alguns anos vem se propagando entre os hospitais do mundo todo. A característica é resistência ao antifúngico e se propagar no ambiente hospitalar”, detalhou George Dimech.

De acordo com a Anvisa, ainda não se sabe o mecanismo de transmissão, acreditando-se que é por meio de contato com superfícies ou equipamentos contaminados.

Medidas adotadas

De acordo com a SES-PE, a Coordenação Estadual de Prevenção e Controle de Infecção de Pernambuco foi notificada e deu orientações sobre a implementação de um plano de ação para prevenir a disseminação de microrganismos.

Também houve capacitação com a equipe multiprofissional do serviço e criado um plano de ação para reforçar as medidas de prevenção e controle, com higienização dos ambientes, higienização das mãos, monitoramento sistemático de contactantes e isolamento dos casos suspeitos.

Além disso, a Anvisa informou que a força tarefa nacional foi acionada e várias ações de vigilância, monitoramento, prevenção e controle foram intensificadas.

O grupo realizou reunião com profissionais do hospital onde os casos foram identificados para alinhar ações, elucidar dúvidas e definir como será conduzida a investigação para agilizar a resposta ao surto, identificar outros possíveis casos e prevenir a ocorrência de novos casos de colonização ou infecção.

A Anvisa orientou que os laboratórios de microbiologia intensifiquem a vigilância laboratorial para a identificação do fungo e, diante de um caso suspeito, informem imediatamente à Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do serviço de saúde e sigam as recomendações quanto ao encaminhamento da amostra ao Lacen.

Gravidade da infecção

A preocupação a respeito do Candida auris, segundo a Anvisa, é por ele ser um fungo emergente que representa uma séria ameaça à saúde pública por sua resistência aos medicamentos comumente utilizados para tratar infecções.

Estudos apontam que até 90% dos pacientes de Candida auris são resistentes ao fluconazol, anfotericina B ou equinocandinas. Além disso, o fungo pode pode causar infecção de corrente sanguínea e ser fatal, principalmente em imunodeprimidos ou com comorbidades.

Candida auris pode permanecer viável por semanas ou meses no ambiente e apresenta resistência a diversos desinfetantes. Ele também tem propensão em causar surtos em decorrência da dificuldade de identificação pelos métodos laboratoriais rotineiros e da difícil eliminação do ambiente contaminado.

Histórico

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicaram um alerta epidemiológico, em outubro de 2016, em função dos relatos de surtos de Candida auris em serviços de saúde da América Latina, recomendando a adoção de medidas de prevenção e controle.

O primeiro caso positivo de Candida auris no Brasil foi notificado à Anvisa em 7 de dezembro de 2020 em um paciente internado um hospital de Salvador, na Bahia. Foi o primeiro de um surto com 15 casos, que resultou em dois óbitos.

Em dezembro de 2021, a Anvisa recebeu a notificação de outro surto em um hospital público de Salvador a partir da confirmação do fungo em um homem. Após a confirmação, outros dez pacientes foram detectados com Candida auris na Bahia.

Fonte: G1

Ponto de Vista

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