SORRY PERIFERIA – 

Semana passada a Globo News levou ao ar o documentário Ademã – A vida e as notas de Ibrahim Sued, abordando a trajetória do famoso colunista social brasileiro, sob a direção de sua filha Isabel Sued. Aproveitei o ensejo para relembrar passagens da vida daquele que foi um dos mais influentes comunicadores do país, durante mais de quatro décadas.

Filho de imigrantes árabes, Ibrahim, nasceu em família muito pobre, no bairro Botafogo, Rio de Janeiro. Com pouquíssimo estudo iniciou a sua carreira na imprensa como repórter fotográfico, em 1946. Naquela década, acompanhado de Carlos Niemeyer, Sérgio Porto, Jorginho Guinle, Francisco Matarazzo e outros plays boys das noitadas cariocas, fundou o afamado Clube dos Cafajestes.

Em 1951, começou a trabalhar na “Tribuna da Imprensa”, jornal de Carlos Lacerda, onde escrevia a coluna “Zum-Zum”. Transferido para o jornal “O Globo”, em 1954, obteve destaque maior, assinando espaço social que marcou época, com as listas das “Dez mais” – as dez mais belas mulheres, as dez mais elegantes e as dez melhores anfitriãs da sociedade carioca.

O sucesso se consolidou a partir do final da década de 1950, quando conviveu com personalidades famosas no Brasil e no exterior. Casou-se em 1958, com Maria da Glória Drummond, num evento social celebrado como o maior daquele ano. Em comemoração aos 30 anos de sua coluna no “O Globo”, em junho de 1983, acolheu no Copacabana Palace, na Avenida Atlântica, mais de 1.500 convidados.

Produziu bordões que marcaram o colunismo social brasileiro como “De leve”, “Depois eu conto”, “Os cães ladram e a caravana passa”, “Ademã que eu vou em frente” e “Olho vivo, que cavalo não desce escada”. Considerado um homem elegante, contou que, no início de sua carreira, tinha apenas um terno, que deixava todo dia debaixo do colchão de sua cama para não perder o vinco.

Na sua coluna passeava por temas como elegância, etiqueta, culinária, sexo e fofocas envolvendo o dia a dia do high society carioca. Suas fotos ao lado de celebridades incluíram Getúlio Vargas, John Kennedy, rainha Elizabeth, rei Juan Carlos, Ginger Rogers, Doris Day, Alain Delon, dentre muitos outros. Criou palavras e expressões que caiam no gosto popular, como cocadinha, pantera, niver, linda de morrer e ademã, que eu vou em frente. Lançou sete livros e se considerava um imortal sem fardão.

Em 1985, foi homenageado no Carnaval carioca pela Acadêmicos de Santa Cruz com o enredo Ibrahim, De leve eu chego lá. A Faculdade da Cidade do Rio de Janeiro concedeu-lhe o título de Professor Emérito do Curso de Jornalismo na presença da nata da sociedade do estado, além de políticos, sambistas, músicos e intelectuais. Por fim, em março de 1993, recebeu do presidente Itamar Franco à Ordem do Mérito Militar no grau de Cavaleiro especial.

Outro fato marcante de sua carreira e da época foi o casamento de sua filha Isabel, quando reuniu quatro mil convidados, vestindo um fraque curto – uma sua criação que predominou a partir de então no vestuário masculino. Na oportunidade, portava a condecoração do governo francês, a Legion D’Honneur. Dizem, que o único conselho dado à filha foi não deixar penetrar a promiscuidade no relacionamento a dois.

Ibrahim faleceu em 01/10/1995, de infarto agudo do miocárdio e edema agudo pulmonar. Em 2003, foi inaugurada uma estátua do colunista segurando um exemplar de “O Globo”. De menino pobre à celebridade. Sorry, periferia!

 

 

 

José Narcelio Marques Sousa – Engenheiro civil

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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