SOLIDÃO QUE NADA – Ana Luíza Rabelo

SOLIDÃO QUE NADA –

Parece o começo de uma música de Sandra de Sá, mas é o começo de uma história de amor. Entre você e você mesmo. Todos já sabemos sobre a importância de manter bons sentimentos com relação ao próximo, mas cultivar bons sentimentos sobre a própria pessoa é um pouco mais complicado. Em primeiro lugar, ninguém quer ser egocêntrico, e depois vem o fato de que nós conhecemos bem nossas qualidades… e defeitos. Então, é sempre mais fácil ser autocrítico e, muitas vezes, não se respeitar o suficiente, do que se amar, se valorizar e se compreender.

Tudo na vida tem que ser realizado com equilíbrio, por etapas, um pouco de cada vez, para que se torne hábito e daí fique indelével na nossa rotina. Ter prazer na própria companhia, ter confiança e segurança são bons caminhos para a fase inicial de se amar. Ficar um dia consigo mesmo, pensando sobre quem somos e quem queremos ser, se conhecer aos poucos, se aguentar no cruel cotidiano pode até levar a se amar.

E o ato de amar-se não significa excluir-se do mundo, alienar-se das outras pessoas, mas, aos poucos, tornar-se fonte de equilíbrio e recarregar as energias para que possamos superar os obstáculos diários. Quando se está bem consigo, não existe solidão.

É incrível como somos capazes de tantas coisas maravilhosas, de ser generosos, de amar ao próximo incondicionalmente, e esquecemos que um dos Dez Mandamentos diz: “ama ao próximo como a ti mesmo”. Enquanto não possuirmos amor próprio, nunca chegaremos ao ato completo e profundo do amor ao próximo, porque não sabemos amar com plenitude.

A autoestima é um grande exercício, nos ensina que podemos perdoar aquele a quem conhecemos mais profundamente, aquele a quem as falhas nos saltam aos olhos, o “eu” de cada um. E, com isso, conseguimos ser mais pacientes, mais generosos e complacentes com o “eu” do outro, porque somos capazes de nos colocar na posição do próximo, sabendo que, no lugar do “ele”, poderia ser o “eu”.

Amor é um sentimento complexo, nós somos seres complexos. Então, para dar o “pontapé inicial” ao amor e ao amar, nos impulsionamos para o ser mais presente em nossa história. O protagonista da nossa vida é que vai nos ensinar como deveremos reagir, tratar os outros e seguir em frente. Não importa o quão pouco saibamos do futuro, somos nós quem o construímos, por isso devemos criar bases firmes para tanto.

Como a vida é baseada no infinito e tudo é cíclico, alcançamos mais que uma “recarga de bateria” quando somos capazes de nos acostumar com nossa presença, alcançamos bem-estar, bom humor e com eles alcançamos mais saúde. De modo que se pode intuir que conhecer-se e amar-se é a chave para a longevidade. Então, vivam bem, vivam mais!

 

Ana Luíza Rabelo SpencerAdvogada – (rabelospencer@ymail.com)
As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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