SOBRE AS COISAS… –
As minhas coisas estão espalhadas pelo tempo, algumas estão guardadas em velhas caixas construídas com os restos de madeiras resgatadas das demolições da vida.
Talvez, pelas resenhas projetadas pelo passado, tenhamos que salvar das desmemórias do tempo algumas coisas empoeiradas, ainda que manchadas pelos pincéis de lágrimas.
Interessante perceber que as vielas, ruas, cidades, lugares e suas hipotéticas coisas já não são mais as mesmas. Suas cores, formas e nuances não se parecem mais como antes se faziam vistas. O que poderia ser algo óbvio, lógico, ao pensar que nem eu mesma consigo ser mais quem fui um dia, ora nem minhas coisas são mais as mesmas. Envelheceram.
Nesse movimento de turbulências inóspitas, numa mistura entre as coisas vivas e irreais, as histórias se confundem com as ilusões, as vontades se deixam ser engolidas pela preguiça das coisas tolas, efêmeras, que vivem nas coisas desnecessárias.
O ideal seria perscrutar as tais coisas tolas, efêmeras, desmemoriadas, ilusórias e tantos outros adjetivos que queiramos dar. É que a preguiça continua instalada em mim, encruada numa poeira de vento que sopra minhas ideias mais escassas.
Ela, a preguiça das coisas dissipadas, insiste em me fazer esquecer das coisas que um dia foram, oxalá, boas e/ou ruins, gritando nas caixas de madeiras que guardam as coisas que se espalharam pelo tempo, fazendo-me esquecer de lembrá-las.
Decerto, nunca mais poderei voltar às velhas coisas, nem remendar os trapos das memórias, estas, cansadas pelos argumentos falhos, enfraquecidos, pelas desculpas das coisas descompassadas.
O cansaço ainda se faz presente, é a tormenta dos dias em que as coisas se atropelam e se abalroam nas esquinas “desprojetadas”, “desinalizadas”, ao ponto de esmagar, por completo, qualquer vestígio de esperança.
As coisas, o cansaço, a falta de vontade, o tempo, a idade, o nevoeiro, a velha calça desbotada, as páginas arrancadas de algum livro, as confusões mentais, a política, os desertos, a sede, o amor e todas as coisas que passam pelas nossas vidas, podem ser coisas, apenas coisas, ou ser muito mais que apenas coisas.
E se processarmos as coisas como coisas, sabendo que “Certas coisas só são amargas se a gente as engole” (Millôr Fernandes), poderemos filtrar certas coisas e viver com mais leveza quando, porventura, algumas coisas não saírem como imaginávamos. Afinal, nem tudo é como desejamos, então deixemos certas coisas de lado e cuidemos em “coisar” outras coisas.
Como diz Chicó: “Não sei, só sei que foi assim!” (Em O Auto da Compadecida- Ariano Suassuna).
Flávia Arruda – Pedagoga e escritora, autora dos livros: As esquinas da minha existência e As Flávias que habitam em mim, flaviarruda71@gmail.com
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