SE MALANDRO SOUBESSE COMO É BOM SER HONESTO –
Houve tempo em que a palavra do homem, valia mais do que qualquer documento selado em cartório, época quando, mesmo em meio às disputas pelo poder e manobras para fortalecer influências nas grandes decisões, a credibilidade pessoal era alicerce das relações humanas.
Dizia-se “falou, está falado”, e bastava. Não havia necessidade de testemunhas, selos ou carimbos, pois a honra era assinatura invisível que validava compromissos, e o respeito mútuo, o registro mais autêntico de qualquer pacto.
Hoje, em tempos de desconfiança e formalidades infindas, essa lembrança soa quase como lenda, mas para quem viveu aquela era, sabe-se bem que a força de um aperto de mão sincero, era suficiente para garantir a palavra empenhada, e que o valor de um homem se media, sobretudo, pela firmeza do que dizia.
Na juventude, lembro do encantamento ao ouvir o refrão da música “Caramba”: “Se o malandro soubesse como é bom ser honesto, seria honesto só por malandragem.” Aquela frase, envolta em ritmo e ironia, parecia traduzir uma lição de vida, de que a idoneidade poderia, sim, ser uma forma inteligente de viver.
O tempo, porém, passou… e o que se vê hoje é verdadeira inversão quase dolorosa desse ensinamento. A malandragem, antes vista como uma ginga inocente, infiltrou-se em todos os níveis da estrutura nacional, o honesto, esse personagem quase romântico, parece deslocado, chega a ser constrangido quando tenta seguir o certo, em ambiente onde o correto perdeu prestígio.
O subjetivo tornou-se terreno fértil do interesse próprio, e o perfume da ganância, antes discreto, agora domina o ar, forte, penetrante, despudorado. A grande maioria, incrédula, observa de mãos atadas a cena que se repete: esperteza vencendo o mérito, aparência suplantando o caráter.
E então, ecoando lá do passado, ressoa na memória a voz de Jorge Ben Jor, que, em tom profético, parece ainda sussurrar à consciência nacional, tentando mostrar que a verdadeira esperteza, é viver de forma limpa, digna e em harmonia consigo mesmo.
“Ai, ai, caramba!”, um lamento e um alerta que continuam tão atuais quanto naquela canção que influenciou gerações.
Alberto Rostand Lanverly – Presidente da Academia Alagoana de Letras
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