Flávio Rezende *

Nós que moramos neste lado do planeta ficamos de bobeira quando assistimos algum documentário sobre o hinduísmo ou até sobre o islamismo. É comum achar tudo muito estranho. Em 1990 decidi morar um tempo no exterior, vendi um carro Puma que tinha, pedi afastamento por tempo indeterminado das TVs que trabalhava e, fui parar na Índia, Nepal e países europeus.

Na Índia, além de estar inserido num ambiente radicalmente diferente em todos os aspectos, notadamente o alimentício, urbanístico e cultural, com ajuda de um amigo que traduzia tudo, percebi e fiquei pasmo com o quase desconhecimento dos indianos acerca da figura de Jesus. Alguns mais instruídos diziam algo, o posicionando mais como profeta, um ser evoluído, que pensava diferente deles.

Meditando sobre este assunto, percebo que vivemos nossas realidades e não damos muito cabimento para outras, salvo raríssimas exceções. Sem buscar explicações mais aprofundadas aqui, revelo que sempre tive uma queda pelas coisas do Oriente e, não foi difícil tentar colocar em prática vários ensinamentos que ao longo da vida fui bebendo de fontes hindus como Krishna, Rama, Yogananda e Sai Baba.

Assim incorporei a meu modus vivendi o vegetarianismo, abandonei vícios como cigarro, álcool, maconha e em algumas fases pratico yoga, meditação e outras coisas vindas do lado de lá.

Na estadia pela Índia estive na presença do que chamamos aqui de guru, o Sathya Sai Baba. No começo foi um encontro suave, mas, logo no primeiro momento percebi um olhar severo dele em minha direção, traduzindo hoje como um puxão de orelhas do tipo: – tome jeito seu cabra.

Ao voltar para o Brasil comecei a ler mais sobre Sai Baba e, lentamente percebi de maneira real, sua presença em minha vida. Nesta altura do campeonato, mesmo sem ser uma coisa a nível de vício ou muito negativa, tinha os maus hábitos acima citados e, pedi a ele para que me tirasse daquele “imprensado” que estava passando e me libertasse de tudo aquilo.

Por mais incrível que pareça, quando acordei depois do pedido, Sai Baba simplesmente removeu tudo àquilo de minha vida e, nunca mais, fumei, cheirei ou bebi, num evento que até hoje agradeço, pois nunca tive síndrome de abstinência e nenhuma recaída.

Com esse feito que considero “uma graça” alcançada, passei a vivenciar a mensagem espiritual de Sai Baba e direcionei minha vida cada vez mais para a prática real do bem. Sai Baba nunca mandou ninguém mudar de religião, muito pelo contrário, elogiava todas, Sai Baba tinha um carinho todo especial pela pobreza, cativando meu coração, pois sempre tive esse lado de gostar das pessoas carentes.

As obras humanitárias de Sai Baba são imensas, água encanada para todo o sul da Índia, implantação do método de educação em Valores Humanos, o Educare, com fundação de escolas do jardim até o MBA em vários países, tudo de graça, incentivo aos esportes, a não-violência, observância de valores humanos, respeito à família, a nação, a natureza e aos animais, com regras de conduta sérias e comemoração de datas festivas de todas as religiões.

Sai Baba morreu domingo de páscoa octogenário de maneira simples, levava uma vida austera, saiu da Índia em raríssimas ocasiões fisicamente e cuidava de cada um dos seus devotos de maneira carinhosa, mantendo intensa atividade diariamente desde a infância, quando começou sua missão, que continuará no futuro em nova encarnação como Prema Sai.

Além de escolas e universidades, fundou hospitais e ajudou o quanto pode milhões de pessoas de diversas maneiras.

Em várias fases de minha vida senti sua mão amiga me conduzindo pelos caminhos do bem, creditando a grande luta para edificação e agora manutenção da Casa do Bem a sua constante presença divina a meu lado.

Na administração cotidiana da Casa do Bem não falo em Sai Baba, ele dizia a todo o momento para que não buscássemos os frutos das nossas ações. Vou fazendo as coisas sem pensar no resultado delas, estou sempre em movimento, aprendi com Sai Baba o ouro da humildade, a prata da perseverança e o diamante da seriedade na condução de todas as coisas que fazemos.

Continuo admirando seres como Jesus, Buda, Yogananda, Krishna, Osho e Gandhi, entre outros, mas é através de Sai Baba que vivencio o lado espiritual da vida, pois sinto sua presença verdadeira a meu lado.

Também bebi dos seus ensinamentos não me ligar muito na filosofia das coisas, no academificismo, tanto que nem freqüento muito reuniões e ajuntamentos afins, prefiro estar no meio do povo, realizando, diminuindo distâncias, sorrindo, dando a mão, ajudando, abraçando, incluindo, pois, foi esse o maior ensinamento que pude captar com ele em vida.

Tenho certeza que no planejar, executar e finalizar de cada ação do bem, a meu lado, abaixo e, acima, Swami vai estar ali coladinho, grudadinho, sorrindo, materializando amor e o espalhando generosamente aos quatro ventos, pois, foi esse o maior milagre que fez o tempo todo: amar a todos, servir a todos.

* Flávio Rezende – Escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com).

Ponto de Vista

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