Segundo um relatório divulgado no domingo (14/05), os britânicos avaliam que o contingente militar russo na Ucrânia transformou-se, em grande parte, em grupos de reservistas incapazes de desenvolverem operações complexas.
O Ministério da Defesa britânico também considera que, apesar de o chamado Agrupamento de Forças Combinadas da Rússia — o conjunto de forças russas ou CGF — manter aproximadamente a mesma quantidade de pessoal no campo de batalha do que há um ano – 200.000 efetivos divididos em 70 regimentos – já não é composto por soldados profissionais ou “veículos razoavelmente modernos”.
“Agora a força está composta na sua maioria por reservistas mobilizados mal treinados e cada vez mais dependentes de equipamentos antiquados”, aponta a avaliação.
Ainda segundo os britânicos, a Rússia só é capaz agora de efetuar “operações muito simples, com base na infantaria”, em comparação com as “operações conjuntas complexas” regulares realizadas pelos militares no início da guerra.
“E mais importante, é pouco provável que tenha conseguido gerar uma reserva móvel, capaz de responder aos desafios operativos emergentes”, apontou o ministério britânico.
O ministério ainda acrescentou: “É improvável que [o Agrupamento Russo] seja uma organização coesa que efetivamente tenha um efeito militar em larga escala ao longo da linha de frente de 1.200 km sob pressão”.
Especialistas já haviam apontado anteriormente que a Rússia perdeu muito de seus militares mais experientes nas primeiras semanas e meses da guerra, acabando por preencher suas unidades com pessoal menos experiente e mobilizado à medida que o esforço de invasão se arrastava.
Em setembro de 2022, o governo russo anunciou uma “mobilização parcial” de 300.000 reservistas.
Mais recentemente, militares da Rússia passaram a intensificar esforços para recrutar condenados diretamente das prisões para lutar na Ucrânia. Nesta semana, o Ministério da Defesa do Reino Unido estimou que só em abril os russos recrutaram 10.000 condenados. A tática que usar prisioneiros para lutar já vinha sendo usada pelo Grupo Wagner, uma organização de mercenários ligada ao Kremlin. Em março, especialistas das Nações Unidas á haviam criticado a estratégia.
“Estamos profundamente incomodados com relatos de visitas de membros do chamado Grupo Wagner a instalações correcionais em várias regiões da Rússia, oferecendo indultos a prisioneiros que se juntarem ao grupo e participarem da guerra na Ucrânia, bem como um pagamento mensal a seus parentes”, disseram os especialistas.
Fonte: Deutsche Welle
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