RUA ULISSES CALDAS – 

Ulisses Caldas nasceu em Assu, batalhou como voluntário e foi considerado herói na Guerra do Paraguai. Em sua homenagem foi dado o seu nome á uma das ruas mais importante de Natal.

A Rua Ulisses Caldas começa próxima a Travessa Gonçalves Dias e termina no cruzamento com a Av. Deodoro da Fonseca. Por ali nos meados dos anos 50, 60 e finais dos anos 70 era caminho obrigatório dos três mosqueteiros (por mim apelidados), Clodoaldo Marques Leal ou Cloro, Iderval Medeiros e Paulo Brandão, três amigos inseparáveis.

Cloro, meu pai, a pedido de minha mãe que não aguentava as minhas traquinices, me levava para estudar na farmácia de sua propriedade. Por isto, a rua me ficou muito familiar e hoje guardo na lembrança algumas pessoas e casas comerciais.

Saindo do começo em direção a Av. Deodoro, me recordo de um senhor que concertava bicicletas, conhecido como Zé Grilo, ou simplesmente Grilo. Já no quarteirão onde se encontra o prédio da Prefeitura ficava a Loja ou Casa das Malas, do Sr Pedro, pai do amigo Pedrinho, hoje artista plástico e professor universitário.  Ainda neste quarteirão ficava o cartório do 1° Oficio de Notas e Protesto de Títulos, na época era o Tabelião o Sr. Manoel Procópio de Moura, A Sertaneja do Sr. Radir Pereira, a Sapataria Morena, do Sr João Monteiro. Havia ainda um armarinho do Sr. Porpino e outra sapataria que não me recordo do nome nem seus donos. Tinha ainda as lojas Singer, que vendia as maquinas de costurar Singer. Em frente ficava a Farmácia Natal e de tanto ir por lá gravei na memória alguns remédios e suas propagandas: Emulsão de Escott a base de fígado de bacalhau, Biotônico Fontoura – O mais completo fortificante. Pílulas de Vida do Dr. Ross – laxativo sem rival, Iodex – Um alívio para dores musculares. Melhoral – Melhoral, Melhoral, é melhor e não faz mal, Cêra Dr. Lustosa – Para dar “jeito” na dor de dente só Cêra Dr. Lustosa, e por aí afora.

 No outro quarteirão em duas esquinas ficavam os cafés: Nações Unidas e Majestic, ao lado deste último, a joalharia do Senhor Manoel Afonso, que era Cônsul de Portugal em Natal. Mas adiante a Loja das Bicicletas do Sr. Luiz Cavalcante, que depois passou a chamar-se Casa das Maquinas. Em frente no mesmo quarteirão ficavam as Lojas Seta depois a Camisaria União, Sapataria Elite e a Girafa. Passando o Beco da Lama, as lojas Sr. Abdon Gosson e Adauto Medeiro. Na esquina com a Avenida Rio Branco estava a Casa Rio, do Sr. Alcides Araújo e na outra esquina um grande armazém do Sr. Coriolano de Medeiros. De frente ficava a Casa Machado também de sortimento em geral, e do outro lado o armazém do Sr. Militão Chaves, na esquina com a Av. Rio Branco. Confluência com a Rua Princesa Isabel, havia uma loja que vendia materiais odontológicos que não recordo o nome e a Farmácia Maia, do Sr. Adauto Maia que era muito amigo do meu pai, daí chamar-me para conversar, quando ele tinha tempo.

No quarteirão entre a Princesa Isabel e a Rua Felipe Camarão, tinha um senhor que consertava relógio, (Sr. Rildo), a Loja Musilar do Sr. Pedro Câmara e Sr Leopoldo, Loja das Tintas também do Sr. Pedro Câmara e Seu Juca, o gerente era o saudoso amigo Francisco Assis Bezerra. Tinha ainda o Armarinho de Dona Salome e outras casas comerciais.

No quarteirão entre a Rua Felipe Camarão e a Av. Deodoro, as casas comerciais que me recordo são: A Mercearia de Seu Carlos e outra menor onde trabalhavam duas senhoras irmãs. Tinha um pequeno mercado cujo nome era O Galo Vermelho, o nome do proprietário era Juarez. Ali já começavam as casas residenciais, lembro-me bem das residências dos amigos Eduardo Marinho, Walter e Valdecilio, amigos de infância. Do outro lado o muro do Colégio Imaculada da Conceição.

Não existia a praça com o “camelódromo” e o mercado Público da Cidade Alta era um grande centro comercial, por isto as ruas laterais e perpendiculares a Ulisses Caldas eram bem movimentadas. Uma delas era a Rua Vigário Bartolomeu e sua continuação a Rua São Tomé onde ficava a Farmácia Confiança de Seu Barreto. Vizinho tinha um senhor muito forte que concertava relógios conhecido por Seu Cunha. Por ser grande e forte a “meninada” da Farmácia Natal o chamava pelo aumentativo do seu nome, ele por sua vez só fazia rir.

Como diz o poeta “velhos tempos, belos dias.”.

Guga Coelho Leal – Engenheiro e escritor, membro do IHGRN

As opiniões emitidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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