ROSADOS – ROTAS DE COLISÃO E PAZ –
Dix-Huit, o velho alcaide, como gostava de ser chamado, pertenceu ao PDT e pediu passagem para ingressar no PPR. Ele integrava a saga dos Rosados que edificou o país de Mossoró ao lado de outros obreiros, irmãos na argila e no sangue. De longe, sempre admirei a união da família Rosado, emblemática, carismática, atávica, mágica. Era o mistério da unidade. O tempo implacável, com as suas angústias, dividiu a família plantando-lhe as sementes da discórdia. Sofridos, abatidos por tragédias, sucumbiram ao peso medonho das amarguras cotidianas do insensato jogo do poder e da política perversa – amor de perdição.
Mossoró, hoje é um país confederado. Fragilizou-se igualmente a Roma, quando dividiu o império para ser destruída depois pelos bárbaros. Desde Dix-Sept, Mossoró teve tempos idos e vividos, consumados com tanta generosidade e autenticidade de espírito, com tanta sensação de se perfazer a aventura da vida com grandeza interior, que hoje não tenho como deixar de proclamar que os Rosados eram felizes e não sabiam.
Com Vingt, perdemos a figura do líder político típico, tópico e até utópico, como foram Dinarte, José Augusto, Georgino e Juvenal Lamartine. Vingt foi o coquetel humano de todos eles. Dix-Huit é o perfil do burgomestre com raízes telúricas e emocionais, daqueles que tem a cara do seu município e de sua gente. Dispunha de ineludível capacidade de reinventar o fluxo virtual da sua atividade, assumindo os contornos de um lirismo político inaugural que contrasta com a presente politicagem dominante na cidade.
Evidentemente, que outros fatores também contribuíram para a queda desse mundo político semidesaparecido. É preciso que se devolva a Mossoró o sentido e o rumor do humano, da civilidade, da paisagem e do tempo. A recomposição dos gestos e os exemplos do passado, voltando-se a resgatar a Mossoró libertária, lutando, resistindo sempre, com paz e amor, portanto, ao som das mesmas canções eternas. Naquele tempo eu dizia ainda sobre o velho mestre: “A vinda de Dix-Huit para o PPR não desagrega. Congrega, conflui. Não consagra nem desconsagra ninguém. Não é uma atitude contra ninguém. Vem para o PPR e não para o PSDB ou PMDB, por isso não cabe veto. Vem se aliar àqueles que já estão na Unidade Popular. Sob o mesmo manto, a mesma égide, pode ressurgir, quem sabe, a paz. A paz fraterna, cósmica, que tanto a família mossoroense deseja”. Tal previsão não ocorreu. E o rompimento da família foi o começo da derrocada.
Valério Mesquita – Escritor, Mesquita.valerio@gmail.com
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