RESTAURANDO A FLEXIBILIDADE – Cinthia Moreno

RESTAURANDO A FLEXIBILIDADE –

Alguns autores definem flexibilidade como a habilidade de mover uma ou várias articulações na amplitude de movimento (ADM) completa, sem restrições e sem dor. A manutenção da ADM é essencial para a realização de várias atividades da vida diária e algumas modalidades esportivas exigem o seu aumento através de treinamento específico. A falta de flexibilidade pode criar movimentos descoordenados e desajeitados, e pode estar relacionada a vários fatores como: alterações no músculo, tendão, ligamentos, cápsula articular, osso ou na pele. Essas alterações podem ocorrer após lesões, procedimentos cirúrgicos, doenças que afetam os sistemas ósseo e muscular, ou até mesmo após períodos de inatividade.

Por isso, crianças e adolescentes com câncer submetidos a um tratamento clínico que, na maioria das vezes, é agressivo e prolongado, podem apresentar algum grau de comprometimento da flexibilidade. Um sintoma inicial como a dor já pode causar diminuição da flexibilidade, por uma reação natural de proteção das estruturas que estão inflamadas ou lesionadas. Períodos prolongados de internação com repouso e restrição ao leito também podem alterar a flexibilidade, sendo mais evidente nos membros inferiores.

O alongamento é uma técnica fundamental para recuperar a flexibilidade e manter ou melhorar a ADM normal. Existem variadas técnicas de alongamento e ainda não há um consenso de qual é a melhor. O fisioterapeuta deve escolher a que promove o melhor efeito de acordo com a tolerância do paciente, que pode estar dependendo da fase do tratamento, animado, sem queixas, mais sensível à dor, choroso, com irritabilidade, etc.

Percebemos na rotina de atendimento do setor de fisioterapia da Casa Durval Paiva que é muito importante o profissional ter compreensão e sensibilidade à condição física e emocional do paciente visando aplicar a técnica que selecionou. Antes do aumento da ADM, o conforto e o bem estar do paciente são objetivos principais da reabilitação.

Por exemplo, o paciente R.N.S.J., 13 anos, com diagnóstico de leucemia, após período de restrição ao leito devido às fortes dores na coluna lombar, apresentou encurtamento muscular em membros inferiores. Ao iniciar tratamento de reabilitação, incluindo técnica de alongamento passivo, teve melhora na ADM de todas as articulações dos membros inferiores. Ao restaurar a flexibilidade, o paciente tem um melhor desempenho na execução de tarefas simples como: alcançar e manipular objetos, ficar de pé e caminhar. Isso se reflete diretamente na sensação de melhora e bem-estar, um dos fatores esperados por quem cuida de crianças e adolescentes com câncer.

Cinthia Moreno – Fisioterapeuta – Casa Durval Paiva – CREFITO 83476-F

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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