O hospital Alfredo Mesquita Filho foi edificado e equipado com o objetivo de atuar como unidade de saúde regional. Para a sua construção contou com recursos que provieram do fundo de ação social, gerido pela Caixa Econômica Federal, repassados diretamente a prefeitura de Macaíba. Entre 1987 e 1988, ocorreu a inauguração, concretizando-se assim a grande esperança do povo macaibense e dos municípios vizinhos. Seu primeiro diretor foi o saudoso médico Carlos Mesquita. Dessa época para os dias de hoje o hospital passou por inúmeras turbulências, face os diferentes governos e as mudanças diretivas verificadas, sem, contudo, prejudicar o atendimento à população. Todavia, segundo o depoimento de profissionais e pacientes que utilizam os serviços – nos últimos anos -, equipamentos importantes como o de ultrasonografia e outros foram transferidos para hospitais da rede estadual e os seus serviços reduzidos.

Além da saída de equipamentos, ocorreram também a evasão de médicos para unidades de Natal, desfalcando cada vez mais a assistência ambulatorial, que já funcionava precariamente. Essas medidas foram tomadas em desrespeito aos usuários, posto que, a maioria não dispunha de plano de saúde sendo obrigada a ir abarrotar os congestionados corredores do Walfredo Gurgel, Santa Catarina, Varela Santiago, Gizelda Trigueiro e Maria Alice Fernandes, todos na capital. Cite-se, também, a dificuldade financeira enfrentada pelos doentes no deslocamento oneroso para Natal. Às vezes, cheguei a pensar, que o Alfredo Mesquita não vinha sendo administrado, e sim, punido pelas autoridades competentes. Perguntei aos macaibense se estavam satisfeitos, com a gestão do hospital e a resposta veio precisa e inapelável: Não.

Até parece, que as gestões passadas da secretaria de saúde estadual desejavam que o estabelecimentos desse lucro, sem se aperceber que ele era do governo. Cheguei a imaginar a conveniência da Prefeitura e da Câmara Municipal de Macaíba formarem uma comissão para visitar as suas dependências e visitarem as autoridades a fim de juntos constatarem o que eu alegava como cidadão, eleitor, escritor, articulista, ex-deputado e prefeito. Ou até mesmo comunicassem imediatamente ao Ministério Público local, a fim de que a população não sofresse tantas perdas no patrimônio mais importante que ainda detém: o direito à vida através da saúde bem administrada no único hospital da cidade. Tratava-se de uma atitude cidadã, que honraria e dignificaria o mandato dos senhores políticos de plantão.

Inclusive, esse assunto eu já havia abordado pela mídia escrita e televisiva cujas críticas expostas à época sobre a situação do hospital, foram testemunhadas pelos macaibenses que confirmaram todas as denúncias. De minha parte, mesmo sem poder me envolver diretamente no problema, pois era conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, telefonei duas vezes para o então secretário da saúde Rui Pereira, a quem respeitava como homem de bem, no sentido de que se sensibilizasse e tomasse uma providência saneadora. Na comunidade, inúmeros comerciantes e até o vigário local à época, padre Júlio César com quem conversei, igualmente, se mostraram indignados com o desmonte da saúde em Macaíba, na expectativa de que o governo não se transformasse num furacão tropical que arruinava a cidade. Também não lograram êxito os parlamentares votados em Macaíba, tendo o problema se arrastado até os dias de hoje. Agora, em dezembro, anuncia-se a reabertura das atividades do hospital, fato que saúdo com, alegria e na esperança de que ela seja, doravante, permanente como permanente é o povo. Agradecimento extensivo vai para o atual secretário de saúde Luis Roberto Fonseca.

Valério Mesquita – Escritor – mesquita.valerio@gmail.com

Ponto de Vista

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