REMO –

Para quem não se lembra mais, especialmente, para quem nem sequer ouviu falar. Natal, que já foi conhecida como a “terra do já teve” (e ainda é), tinha no remo um dos seus esportes favoritos. Dois Clubes, ambos à beira-rio na Rua Chile, o Centro Náutico e o Sport, eram os patrocinadores de uma das poucas movimentadas atrações esportivas da cidade. As regatas.

Dia de Regata, e o Cais Tavares de Lyra, o cais do Porto, e centenas de barcos, pululavam de gente para assistir as disputas. Que eram acirradas. Eu mesmo assisti várias, especialmente do Cais da Tavares de Lyra. Era torcedor entusiasmado do Centro Náutico. Torcia com entusiasmo pela guarnição de iole a quatro, com patrão, que tinham Humberto Nesi, Alvamar Furtado, Marito Lyra e Armandinho de Góis  como remadores, e Luiz “Tabacão” (não me lembro do sobrenome) como patrão. Nunca perdiam uma regata. Como Nagib Salha, do Sport, que nunca foi derrotado no esquife, e também merecia  nossos aplausos.

Mas, essa longa estória é para introduzir minha própria experiência como emérito remador. E como me veio isso à memória? Na academia que frequento, têm uma máquina que imita um barco à remo. Nunca usei, nem pretendo usar. É muito pesado. Mas lembrou-me da minha experiência.

Aí pelo final dos quarenta, com uns 16, 17 anos, tinha um grande amigo e colega de turma  no Atheneu, Aluízio Pereira (que tinha o apelido de Aluízio Lagartixa e não se achava vitima de bullying, que nem existia naquele tempo), resolvemos enfrentar o “mar”. Nos associamos ao Centro e fomos para a nossa primeira experiência.

O zelador nos ajudou a escolher uma iole à dois. Nos ajudou a colocar o barco n’água, nos deu os remos e ainda deu um empurrãozinho para a largada. Devia ser por volta das quatro. Remamos pra cá e pra lá, com um entusiasmo esfuziante até chegar o cansaço.

Voltamos. Encostamos o barco no cais, colocamos os remos em cima do mole, e nos preparamos para ir embora, cansados e doidos para sairmos dali. Nisso, quase correndo, chega o zelador. Os senhores têm que lavar o barco com água doce, lavar os remos e colocar a iole no luar dela no estande. O que? É  verdade? Claro, é a praxe. Fizemos a “praxe”, mas nunca mais voltamos ao Centro. Aí começou e se encerrou  nossa carreira de grande remadores.

Segundo tenho escutado, esses clubes ainda existem, e nos mesmos lugares. Só que não são mais lembrados e das regatas, entusiasmantes em seu tempo, nem se falam mais.

 

Dalton Mello de Andrade – Escritor, ex-secretário da Educação do RN

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