O novo Plano Municipal de Saúde de Natal 2026-2029 aponta um cenário de alertas na saúde pública da capital potiguar, com destaque para o recorde de casos de AIDS em adultos em 2024, cobertura vacinal infantil abaixo das metas do Ministério da Saúde, aumento de arboviroses como dengue e chikungunya e problemas estruturais em áreas como saneamento básico e atenção primária.
O documento foi aprovado pelo Conselho Municipal de Saúde e publicado no Diário Oficial do Município de Natal de terça-feira (11). O texto reúne dados demográficos, epidemiológicos, assistenciais e de financiamento e servirá de base para as metas da rede municipal nos próximos quatro anos.
Entre os pontos que mais chamam atenção está o crescimento dos casos de AIDS em adultos. Segundo o plano, Natal registrou 431 casos em 2020, 493 em 2021, 481 em 2022, 541 em 2023 e 733 em 2024. É o maior número da série apresentada no documento.
Além da AIDS, o plano também aponta aumento de outras infecções sexualmente transmissíveis. A sífilis adquirida saltou de 729 casos em 2020 para 1.818 em 2024. Já as hepatites virais passaram de 102 casos em 2020 para 191 em 2024. A sífilis congênita apresentou queda ao longo dos anos, mas ainda manteve patamar alto, com 205 casos em 2024.
Outro sinal de preocupação está na vacinação infantil. O próprio plano reconhece que o município não alcançou os percentuais de cobertura exigidos para várias vacinas do calendário básico.
Em 2024, os índices informados foram os seguintes:
O plano afirma que a situação aumenta o risco de reintrodução e circulação de doenças imunopreveníveis.
Também ficaram abaixo do ideal os índices de vacinas mais recentes ou de públicos específicos. A cobertura da vacina da dengue em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos foi de 33% em 2024. Já a vacina contra Covid-19 em crianças de 6 meses a 4 anos teve cobertura de 25,5%. No caso do HPV, o índice chegou a 86,5%, ainda abaixo da meta de 95%.
Na área de saneamento, o plano mostra que Natal ainda convive com deficiências significativas, especialmente no esgotamento sanitário.
Segundo o documento:
O plano também faz uma ressalva sobre a vulnerabilidade de várias áreas da cidade a alagamentos e inundações, citando regiões no entorno de canais, lagoas de transbordo e trechos sujeitos à elevação do nível do mar.
Entre os pontos citados no documento estão áreas da Avenida Afonso Pena, Rua Almino Afonso, Planalto, Passo da Pátria, Comunidade do Jacó, Cidade Nova, Jardim Progresso, Vila de Ponta Negra, além de trechos da orla de Ponta Negra, Via Costeira, Areia Preta, Santos Reis, Rocas e Ribeira.
As arboviroses seguem entre os principais desafios apontados pelo diagnóstico da prefeitura.
Os casos de dengue saíram de 1.080 em 2020 para 1.166 em 2021, dispararam para 16.227 em 2022, caíram para 3.118 em 2023 e voltaram a subir para 7.072 em 2024.
A chikungunya teve 367 casos em 2020, 222 em 2021, 1.745 em 2022, 228 em 2023 e 444 em 2024.
Já a zika teve 26 casos em 2020, 39 em 2021, 266 em 2022, 70 em 2023 e 229 em 2024.
O plano afirma que o comportamento dessas doenças mostra a necessidade de ações estruturais, articulação entre secretarias e fortalecimento das estratégias de prevenção e controle.
O documento também aponta preocupação com a tuberculose. Os casos de tuberculose pulmonar chegaram a 490 em 2024, ante 473 em 2020, 421 em 2021, 463 em 2022 e 448 em 2023.
Quando consideradas todas as formas da doença, os registros foram de:
O dado mais crítico aparece na taxa de cura da tuberculose pulmonar. Segundo o plano, o índice foi de:
O próprio documento destaca que o percentual está abaixo da meta nacional e internacional, fixada em 85%.
O plano admite que Natal ainda não alcança a meta de redução da mortalidade infantil.
Foram registrados 103 óbitos infantis em 2020, 135 em 2021, 103 em 2022, 108 em 2023 e 104 em 2024.
Os óbitos fetais somaram 110 em 2020, 94 em 2021, 95 em 2022, 81 em 2023 e 75 em 2024.
Enquanto isso, o número de nascidos vivos caiu ao longo da série, passando de 10.830 em 2020 para 8.440 em 2024.
Entre as metas previstas no plano para os próximos anos estão:
O plano servirá como base do planejamento da saúde municipal entre 2026 e 2029.
Fonte: G1RN
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