RECONSTRUÇÃO DA DIREITA NO BRASIL- NEY LOPES

RECONSTRUÇÃO DA DIREITA NO BRASIL- 

A semana começa com sinalizações políticas ainda não bem definidas no país.

A aprovação na Câmara dos Deputados da reforma tributária deixa uma lição importante.

O presidente Lula não desejava essa reforma.

Ele tinha a mesma posição de Bolsonaro: era contra e desejava aprovar primeiro o marco fiscal.

Entretanto, com inegável capacidade de assimilação política, quando percebeu que a articulação do deputado Arthur Lira era perfeita e definitiva, resolveu apoiar a distância a proposta.

Evitou divisão na frágil base política que o apoia.

Politicamente, agiu certo.

O Presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) comanda o mesmo tipo de “bloco político-empresarial” estruturado por Eduardo Cunha (MDB-RJ), que ocupou o cargo em 2015 e 2016.

Menos “falastrão” e agressivo do que o emedebista, Lira conduz as relações do chamado centrão com o governo de uma forma que poderá levar sua carreira política mais longe, interpretam os analistas.

Arthur Lira começou a ser chamado de Rei Arthur, dado o tamanho de seu poder na Câmara

Lira vai devagar e sempre.

Ele é realista.

Dialoga com o presidente Lula no mesmo nível.

Impõe a importância do colegiado que preside.

Não cede fácil.

Lira é um personagem que sempre trabalhou junto com Cunha, mas aparecendo pouco.

Lira ainda não definiu muito bem qual é a relação dele com o bolsonarismo.

Ele ainda não se declarou bolsonarista-raiz.

Mantem posição equidistante.

Não se sabe se Lira continuará apostando que Bolsonaro vai ser um puxador de voto, lhes dará futuro político, ou se fará como fez o PMDB depois que o PT ganhou a eleição presidencial de 2002, que é aderir.

Por exemplo, Temer apoiou em 2002 [José] Serra [do PSDB]. Em 2006, ele apoiou [Geraldo] Alckmin [à época do PSDB]. Então Temer era um cara que resistia a passar para a esquerda.

Depois, em 2006, ele se casa com o PT e vira vice de Dilma.

Por outro lado, Valdemar Costa Neto [PL], Ciro Nogueira [PP], Lira [PP], Kassab [PSD] vão conseguir domesticar Bolsonaro?

Ou Bolsonaro vai continuar o comportamento psicótico, que não dá para confiar nele?

Fora do governo e com posições irracionais no debate econômico, a tendência é que o segmento bolsonarista perca cada vez mais sua influência.

A reconstrução da direita democrática poderá começar pelo posicionamento do diálogo supra partidário, cujo nome equilibrado e de bom senso que surge é o governador Tarcísio de Freitas de SP.

Caso supere as dificuldades dos segmentos fanatizados do bolsonarismo, ele poderá surgir como o nome certo para uma coalizão de centro-direita no país, cooptando inclusive áreas da esquerda, não radicais.

Aguardemos!

 

 

 

 

Ney Lopes – jornalista, advogado, ex-deputado federal; ex-presidente do Parlamento Latino Americano; ex-presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal;  procurador federal, nl@neylopes.com.br

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
Ponto de Vista

Recent Posts

COTAÇÕES DO DIA

  DÓLAR COMERCIAL: R$ 5,0890 DÓLAR TURISMO: R$ 5,2790 EURO: R$ 5,7320 LIBRA: R$ 6,7920…

1 dia ago

Perdão de dívidas, aumento do teto e mais funcionários no MEI: veja novas regras e quem tem direito

O Senado Federal aprovou nesta quinta-feira (15) o Projeto de Lei Complementar (PLC) que amplia…

1 dia ago

Anvisa libera lotes de produtos da Ypê fabricados a partir de novembro de 2025

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revogou a suspensão de venda e uso de…

1 dia ago

Seu café tradicional mudou? Entenda o que está diferente na composição

Você reparou se o café coado que faz em casa está diferente? Se a resposta…

1 dia ago

PONTO DE VISTA ESPORTE – Leila de Melo

1- Natal sedia até domingo (19) uma etapa da Copa Brasil de Tênis de Mesa.…

1 dia ago

Justiça manda plataforma de apostas liberar R$ 42 mil bloqueados de consumidora no RN

A Justiça do Rio Grande do Norte condenou uma plataforma de apostas esportivas a liberar…

1 dia ago

This website uses cookies.