RADARES –
Fazia muito tempo que eu não dirigia pela Via Costeira. Um dia desses, entre duas consultas médicas, vi que o caminho seria mais tranquilo pegando essa via.
Lá desço eu a Ladeira do Sol com o coração cheio de boas memórias. Recordei o medo que eu tinha de não conseguir subir a ladeira enquanto fazia aulas na autoescola e dirigia um fusquinha meio detonado ao lado de um instrutor calmo e experiente. Parece que foi ontem que tirei a carteira de motorista e descobri na direção uma das coisas que me acalma.
Pego o caminho a direita e entro na Via, tão diferente de quando a construíram. Quando pequena éramos sócios do Vale das Cascatas, um clube que ficava ali no meio da via costeira. Visitávamos todos os fins de semana, passando pela avaliação médica e depois passando horas dentro da piscina, até parecer um maracujá de tão enrugada. Claro que tinha direito a picolé Kibon e outras delícias pra deixar o fim de semana mais leve.
Eu sabia de cor todos os hotéis e a sequência de sua distribuição! Logo cedo era por ela que papai me levava para a escola, fazendo questões matemáticas para eu responder e conversando sobre amenidades, enquanto ouvíamos músicas no rádio. Na época, o carro sem ar condicionado, meu cabelo ondulado solto ao vento e, juro!, podia sentir a maresia salgando minha pele.
Desta vez, desci animada a ladeira do sol em direção a Ponta Negra, cheia de recordações aquecendo o coração, até ser surpreendida com as placas de velocidade permitida: 50 e 70lm! Lembrei dos postes derrubados que encontrávamos nas segundas-feiras, resultados dos acidentes por alta velocidade que aconteciam ali, como também de vidros quebrados perto das curvas mais fechadas e isso deu um ar de tristeza. Fiquei tão tensa em controlar a velocidade que não aproveitei a vista.
Até que… Até que respirei fundo afastando a melancolia e me dei conta que quase não tinha carro naquela hora. Percebi que eu tinha tempo de sobra para chegar ao meu compromisso e, assim, numa velocidade de aproximadamente 45km/h, andei toda a via, ouvindo música e olhando o mar, a espuma branca cortando o azul infinito, uma mancha mais escura refletindo a sombra de uma nuvem e o Morro do Careca, cada vez menos morro e cada vez mais careca lá no extremo. A paz encheu meu coração. O mar tem esta capacidade de nos resgatar dos problemas e nos jogar na imensidão do amor de Deus por nós.
Assim, vi-me colocada no colo por Ele num dia onde o cafuné do Pai deixou tudo sereno.
Bárbara Seabra – Cirurgiã-dentista e Escritora
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