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Quinho do Salgueiro: Sambista que morreu no RJ eternizou Natal no carnaval carioca

Quinho do Salgueiro, considerado uma das maiores vozes do carnaval carioca — Foto: Divulgação/Prefeitura de Campos

O intérprete Melquisedeque Marins Marques, mais conhecido como “Quinho do Salgueiro”, que morreu nesta quarta-feira (3) no Rio de Janeiro, foi o responsável por defender e eternizar o samba-enredo em homenagem à cidade de Natal no desfile das escolas de samba na Sapucaí no ano de 1999.

“Salgueiro é sol e sal nos 400 anos de Natal” homenageava o quarto centenário da capital potiguar, que seria completado em 25 de dezembro daquele mesmo ano.

O desfile da escola aconteceu no dia 14 de fevereiro e colocou a voz de Quinho como intérprete do samba-enredo.

De acordo com a União Brasileira de Compositores (UBC), além de ser o intérprete na avenida e na gravação do samba-enredo, Quinho ainda aparece como compositor ao lado de Eduardo Dias, Celso Trindade, Líbero e Demá Chagas.

A Salgueiro terminou o Carnaval do Rio daquele ano como a 5ª colocada, com 265 pontos. No quesito samba-enredo, a Salgueiro conquistou nota 10 dos três jurados.

Lembre o samba-enredo completo:

O Rei Sol a brilhar
Clareia meu amor, clareia
Encantou meu olhar
Vagando neste manto de areia
Com a colonização deu início a expansão
Que maravilha
Seu forte é o marco dessa terra
Tem o sal que lhe tempera
O ar é pura sedução
Têm jangadas no mar
Mareia meu amor, mareia
Eu vou deitar e rolar
Gostoso é deslizar na areia
Oh! Natal
Meu Deus do céu
Eu nunca vi tanta beleza
Obra da mãe natureza
Cartão-postal do meu Brasil
Do turista que se encanta a delirar
Nesta festa popular
Salgueiro é o sol que irradia
Nesta dia de folia
E faz aqui seu “Carnatal”
É sol, é sal, é paixão, amor
Natal é pura emoção, vem brindar, ô
Bate na palma da mão
A festa vai começar
São quatro séculos de história pra contar

Quinho morre aos 66 anos

O intérprete Melquisedeque Marins Marques, mais conhecido como “Quinho do Salgueiro”, morreu aos 66 anos nesta quarta-feira (3). Quinho foi uma das maiores vozes do carnaval do Rio de Janeiro e deu vida a grandes sambas-enredo do Salgueiro. Ele estava internado no Hospital Evandro Freire, na Ilha do Governador. A causa da morte foi insuficiência respiratória.

Quinho estava afastado do carnaval. Desde 2022 ele lutava contra um câncer de próstata. Ainda assim, o nome dele foi lembrado durante o último desfile pelo carro de som, que foi batizado como “Quinho do Salgueiro”.

“Você receber uma homenagem em vida, isso me emocionou muito. Nós somos uma pequena partícula dessa imensidão chamada carnaval e escola de samba, e o Salgueiro é a minha vida”, disse em entrevista ao RJ2, em 2023.

“Quinho não era apenas um cantor, mas um poeta que traduzia em notas a essência da nossa escola”, publicou o Salgueiro em uma rede social após a morte do intérprete.

“Quinho não apenas cantou para o Salgueiro; ele viveu e respirou cada nota, cada batida do coração acelerado da bateria. Ele personificou o espírito salgueirense, e sua ausência deixa um vazio indescritível.”

Nos carnavais cariocas, os gritos “arrepia, Salgueiro, pimba, pimba”, “ai, que lindo, que lindo” e “que bonitinho” se tornaram marcas características de Quinho.

Em 1993, Quinho comandou o coro de 60 mil vozes da plateia da Sapucaí com o samba-enredo “Peguei um ita no Norte”, do Salgueiro, conhecido pelo verso “Explode coração, na maior felicidade”.

Carreira

Quinho começou no bloco Boi da Freguesia, sendo chamado para compor o carro de som de Aroldo Melodia na União da Ilha do Governador, em 1988. E lá ficou até 1990.

Ele foi para o Salgueiro em 1991 e, em 1993, se destacou com “Peguei um ita no Norte”. No ano seguinte, o intérprete voltou para a União da Ilha.

Ao longo de sua carreira, passou por outras escolas do Rio como São Clemente, Acadêmicos do Grande Rio, Império da Tijuca e Acadêmicos de Santa Cruz, e de São Paulo, como Rosas de Ouro, e de Porto Alegre, como a Vila do IAPI.

Mas foi com o Salgueiro que teve sua ligação mais forte. Em 2009, interpretou “Tambor”, com o qual levou a escola a seu nono e último título.

Por causa de divergências com a diretoria, passou um tempo afastado e tentou se candidatar à presidência da agremiação. Mas teve sua candidatura impugnada.

Quinho retornou ao Salgueiro em 2019, quando passou a dividir o carro de som com Emerson Dias.

Fonte: G1RN

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