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Queimadas se concentraram em florestas públicas, grandes propriedades, terras indígenas e UCs, aponta relatório

Chamas de incêndio florestal em uma área da Floresta Nacional de Brasília, no último dia 4 de setembro. — Foto: REUTERS/Adriano Machado

O Brasil queimou 11 milhões de hectares entre janeiro e agosto de 2024, segundo revelou um novo relatório do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e da rede MapBiomas, divulgado nesta sexta-feira (27).

Nesse mesmo período, a área queimada em grandes propriedades rurais do país somou 2,8 milhões de hectares (a maior área queimada por categoria fundiária), 163% a mais que em 2023.

Mas nas Florestas Públicas Não Destinadas (FPNDs), que são o principal alvo de grilagem na Amazônia, o aumento foi ainda maior: 176%, com 870 mil hectares queimados.

Ainda de acordo com o relatório, as Terras Indígenas (TIs) também sofreram com o fogo, totalizando 3 milhões de hectares queimados, um acréscimo de 80% na mesma comparação.

Já as Unidades de Conservação (UCs) viram uma alta de 116%, com mais de 1,1 milhão de hectares afetados.

Os dados foram apresentados em uma Nota Técnica divulgada na última quinta-feira (26). Nela, os pesquisadores por trás desse estudo também destacaram que esse aumento foi observado em propriedades de diferentes tamanhos.

“Tais dados demonstram a crescente pressão sobre terras públicas e reforçam a necessidade urgente de políticas eficazes de gestão e proteção desses territórios, fundamentais para a conservação ambiental, para o respeito aos modos de vida dos povos indígenas, povos e comunidades tradicionais e ao seu direito ancestral à terra, e para a manutenção dos serviços ecossistêmicos essenciais a todas as formas de vida no planeta.”, Nota Técnica ‘Fogo no Brasil em 2024: o retrato fundiário da área queimada nos biomas’.

Floresta Nativa na Amazônia

No começo do mês, um outro estudo do Ipam também mostrou que a área de floresta nativa queimada na Amazônia aumentou 132% em agosto de 2024 em relação ao mesmo mês de 2023.

O aumento de incêndios em áreas de floresta mostra uma mudança de cenário na Amazônia, no qual o clima seco e o calor passaram a influenciar as áreas devastadas pelo fogo em uma floresta até então reconhecida por ser tipicamente úmida.

Os dados divulgados apontam que um terço da área afetada pelas chamas é composta por vegetação nativa, ou seja, áreas que não foram desmatadas e depois incendiadas para limpeza antes de plantio ou criação de gado, como é mais comum na ocupação irregular na região.

Isso mostra um aumento na área da “floresta de pé” atingida pelo fogo: em 2019, 12% da área atingida era de vegetação nativa, enquanto neste ano o percentual é de 34%. É o maior índice de fogo na floresta nos últimos cinco anos.

“Em agosto de 2024 tivemos um aumento expressivo da área afetada por incêndios. Normalmente são registradas queimadas em áreas agropecuárias com grande destaque para as áreas de pasto. Neste ano parece que o clima tem impactado a tendência, infelizmente, deixando as florestas mais inflamáveis e suscetíveis aos incêndios”, afirma Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).

 

O aumento de 132% representa 685.829 hectares de florestas nativas destruídos pelo fogo neste mês, enquanto no ano anterior foram 295.777 hectares, e em 2019, 207.259 hectares.

️ O Monitor do Fogo faz um mapeamento mensal das áreas afetadas por queimadas no Brasil com base em imagens do satélite Sentinel 2, abrangendo o período a partir de 2019.

Fonte: G1RN
Ponto de Vista

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