QUEIMA DE ESTOQUE –
Noite modorrenta, friorenta, primeiros dias do ano-novo. Cheguei numa loja de uma grande rede de supermercados paulista, conheço diversos funcionários, nos cumprimentamos. E fui logo apresentando uma questão a respeito da promoção que vi na entrada: quem comprasse um panetonne Bauducco levava dois – valendo para qualquer tipo ou peso dos exemplares disponíveis na loja.
Eu não estava interessado no produto, apenas fiquei curioso. No cartaz, dizia que um custava um valor xis e dois custavam o mesmo valor xis. A minha dúvida era simplória: “E se eu quiser levar apenas um?”.
Com ar de riso, a menina do caixa não titubeou: “Paga o mesmo valor”. Aí, eu fui óbvio e perguntei por que não vendiam logo o produto por 50% do valor, e cada freguês que levasse quantos quisesse. A resposta também foi óbvia, às gargalhadas: “Temos de nos livrar do encalhe desse ‘troço’, o estoque, lá dentro, está entupido, é assim todos os anos”.
Pela quantidade que vi empilhada na entrada da loja, não duvido que o preço baixe ainda mais nos próximos dias. Ou ficará aquele ‘troço’ ali, piscando feito luzinhas de LED, feito peixe começando a cheirar mal e chamando atenção negativa.
A cada ano, todos vemos isso acontecer, repete-se a mesma ladainha: os panettones chegam às lojas num preço bem acima do adequado, ocupam vários pontos de uma mesma loja, mas encalham fragorosamente – e isso ocorre com diversas marcas, mesmo as mais baratas. A partir do dia 26 de dezembro, quando as lojas reabrem, começa a queima de estoque, por um valor que carimba “trouxa” na cara de quem comprou antes do Natal.
Está óbvio que seria bem mais simples estabelecer o preço justo pelo produto – esse mesmo da promoção –, desde o primeiro dia da comercialização. Afinal, nem fabricante e nem revendedores estão fazendo caridade quando são obrigados a vender pela metade do preço. E o fabricante não sofreria as consequências da percepção, pelos consumidores, de que aquele produto não é bom ou essencial, de que sempre encalha no único período do ano em que consegue entrar na lista de compras das pessoas.
O problema é que nossos empresários, ao que parece, têm dificuldades ancestrais para trabalhar com princípios básicos como economia de escala, lei da oferta e da procura, decisão de consumo e, menos ainda, analisar o mercado com profundidade para perceber que determinados produtos não são unanimidade (panettone, peru, tender, Chester, uva-passa, noz, amêndoa, avelã, damasco, fios de ovos…), podem ser facilmente deixados de lado.
Resta, ao fim e ao cabo, um desgaste para a marca – mas este é um efeito que, quando percebido, quase sempre já é tarde demais e não pode ser salvo por filmes fofinhos veiculados nos espaços comerciais da televisão ou nas redes sociais.
Heraldo Palmeira – Produtor Cultural
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