QUANDO A BUSCA PELA CURA PROVOCA SEPARAÇÕES – Keillha Israely

QUANDO A BUSCA PELA CURA PROVOCA SEPARAÇÕES –

A Casa Durval Paiva foi criada há 24 anos, para acolher crianças e adolescentes com câncer e doenças hematológicas, oferecendo suporte qualificado para enfrentarem o tratamento. Um processo difícil e repleto de desafios.

As famílias chegam à instituição abaladas com o diagnóstico de seus filhos, sobrinhos, netos, primos, amigos, dentre outros. E o objetivo é o mesmo, a cura. Recebemos todos os meses casos novos, dos mais diversificados tipos de câncer e doenças hematológicas, diagnósticos que chegam como um vendaval na vida de tais pessoas, são tumores raros, tratamentos longos, e para enfrentarem as situações advindas com a doença os pacientes necessitam de acompanhamento especializado e humanizado.

São pacientes e famílias que chegam de diversas cidades do interior do Rio Grande do Norte, de Natal e até de outros Estados, que deixam suas casas e demais familiares e amigos em busca de tratamento. Para tanto, apreendemos que a busca pela cura provoca separações, e a saudade do lugar de pertencimento é constante. A falta da casa, dos irmãos, amigos, da escola, dos vizinhos é uma constante na vida dessas crianças e adolescentes.

Trata-se de um tratamento longo, e por vezes alguns pacientes ficam meses sem poder ir às suas casas e assim, rever seus familiares e amigos, ou seja, trata-se de uma ausência que machuca. A adaptação inicial não é nada fácil, ter que dividir espaços com pessoas até então desconhecidas provoca os mais variados comportamentos: timidez, irritabilidade, isolamento social, mas, a convivência diária no hospital e na Casa de Apoio, vai estreitando os laços, e eles acabam construindo novas amizades, tornam-se família que compartilha a mesma dor e com o mesmo objetivo. Na verdade, é a formação de uma verdadeira rede de apoio.

Como exemplo, citamos o caso de M.V.P., paciente de apenas 6 anos de idade, em tratamento contra um câncer bem agressivo que precisou deixar o Estado em busca de um tratamento mais avançado. No início, passou dois meses e meio em São Paulo com a mãe, enquanto o pai precisou sair da cidade para trabalhar, e o irmão mais velho ficou aos cuidados da avó materna, a família encontra-se literalmente separada. Após um breve retorno ao Estado, a paciente precisou voltar para realizar um transplante e, com isso, não sabe ao certo quando volta para casa. Esse é apenas um dos inúmeros casos que acompanhamos todos os dias e, enquanto profissionais, precisamos atuar a fim de garantirmos que esses sejam tratados de forma humanizada, enquanto sujeitos de direitos.

 

 

Keillha Israely – Assistente Social da Casa Durval Paiva, CRESS/RN 3592

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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