PROMOVENDO O NOBRE SENTIMENTO DA TOLERÂNCIA –
Lembrar da infância muitas vezes traz memórias afetivas, mas também momentos desafiadores, eu mesmo claramente recordo, dos anos sessenta do século passado, quando com menos de uma década vivida, escutava dos mais antigos, comentários críticos sobre japoneses, devido ao ataque a Pearl Harbour no Havaí.
Nos últimos tempos, o que era desdém, tornou-se admiração de tal forma que a Terra do Sol Nascente, para mim passou a representar nação marcada pela riqueza cultural e histórica, desdobrando-se como tesouro importante para o mundo.
Então através da leitura solidifiquei, não somente por samurais e shoguns, cujas proezas permanecem a ecoar, como testemunho de coragem e disciplina, as gueixas e suas danças sensuais, mistura de graciosidade, habilidade e refinamento, mas também por nativos.
Foi assim que melhor entendi as tradições ancestrais daquele povo, sempre preservadas com reverência, coexistindo harmoniosamente com a modernidade pulsante do presente. Talvez por tais motivos já há muito tempo, ansiava em visitá-los.
E tal sonho tornou-se real, quando dias atrás, notei que ao sobrevoar a imensidão de Tóquio, o avião no qual ocupava a poltrona de número 9 C, à medida que se preparava para pousar no aeroporto de Narita, fazia desnudar paisagem urbana fascinante, com seus arranha-céus luminosos, e intricada rede de passagens que se entrelaçam.
Já pisando o solo da grande metrópole do oriente, senti realçar nos olhos, a certeza de que cada recanto enxergado, revelava-me sua vastidão, prometendo experiência única e inesquecível, misturando modernidade e tradição em dança visual, cujas imagens refletiam forte riqueza cultural, tudo sob a vigília do fenomenal Godzilla.
A primeira impressão foi a de que as ruas, compõem caleidoscópio vibrante que captura a essência única da cidade, onde cada esquina ou beco movimentado, é uma viagem regada por riqueza de informações, que permeia a capital japonesa.
Calejado pelo cotidiano, entendo que sentimentos, hoje extintos, mas certa vez plantados em meu coração, através de notícias recebidas de ancestrais, foram de extrema importância, por levarem-me a compreender a história, e acima de tudo ensinar-me a promover o nobre sentimento da tolerância.
Alberto Rostand Lanverly – Presidente da Academia Alagoana de Letras
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