PRESÍDIO NÃO DÁ VOTO – Luiz Serra

PRESÍDIO NÃO DÁ VOTO –
O Brasil é um país de criminalidade alta. Uma nação traumatizada todos os dias por imagens que fogem à percepção de humanidade. Jovens e crianças mortas em cenário de crime aos milhares compõem estatísticas objeto de apreciação crítica até por órgãos da infância da ONU. Como está, esses milhares de aspirantes a ocupar as penitenciárias brasileiras tendem a adentrar na situação de terror seguinte, uma vez que a superlotação já se considera quebra de consideração minimamente humanizada. Parece um dístico verdadeiro: presídio não dá votos.
Claramente antes de providências melhores na origem da mazela criminal é imprescindível a construção de presídios que sejam unidades prisionais em condições de suster seres humanos o tempo que for determinado pela lei.
Afora alguns presídios de segurança máxima, o que se têm são edifícios prisionais estropiados pelo abandono administrativo e político, que mais favorecem a promiscuidade, a doença epidêmica, a degenerescência; além de fugas, reincidências e corrupção. Nesse drama sociológico brasileiro, que não é privilégio do Rio Grande do Norte, contempla-se sofregamente uma deprimente solução medieval no intramuros dos presídios: uma espécie de autofagia com assassinatos de monta de presos, por eles mesmos, como uma solução final em pleno segundo milênio civilizatório. Estarrecedoras imagens pela tevê que traduzem esse estado desanimador da coisa pública.
A ideia da parceria público-privada (PPP) para gerir penitenciárias já foi posta em prática em Minas Gerais. Inevitavelmente houve críticas de natureza política, uma vez que foi criação durante a gestão tucana de Aécio Neves e concluída na gestão de Antônio Anastasia. Críticas no varejo como questão de exigência de vários banhos por dia, inspeções detalhadas etc. Ora, os críticos têm coragem de, com essa posição, comparar o sistema em implantação com as espeluncas do gênero Carandiru. Por que essas instâncias internas de opinião não participam no sentido de melhorar o sistema privado, com atitude de cooperação, análise fria do drama nacional, e, acima de tudo, verdadeiramente, estar de corpo e alma na corrente de direitos humanos dos apenados de qualquer sorte. Nesse repetitório supraideológico, o que se acompanha é a sugestão aventada incisivamente pela liberdade para criminosos “de menor monta”. Há que concordar que o ambiente irrisório no campo prisional resulte em lentidões processuais que pioram a situação. Há quem critique a ideia de libertação imediatista por ser mais incentivo ao crime do que aplicação de justiça. Como se diz à boca pequena: bandidos ficam soltos; cidadãos, presos em casa!
Afastadas as teses mofas travestidas de espírito salvífico de última hora, com inegável ranço político, muito das propostas poderiam contemplar incentivos à construção de penitenciárias-modelo que atendam a esse milhão de presos, para que possam cumprir suas penas devidas sem traumas e, se possível, percorrendo etapas de instrução técnica e cuidados de saúde etc. E mais: para que lhes traga esperanças de um novo porvir regenerador, bom para todos, para que consigam devolver às vítimas o retorno humanitário, em bases societárias, com critérios de justiça toleráveis e inovadores.
Luiz SerraProfessor e escritor
As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
Ponto de Vista

Recent Posts

COTAÇÕES DO DIA

DÓLAR COMERCIAL: R$ 5,1690 DÓLAR TURISMO: R$ 5,3800 EURO: R$ 5,9120 LIBRA: R$ 6,9280 PESO…

8 horas ago

WhatsApp com nome de usuário: como reservar o seu? É seguro? Tire dúvidas sobre o novo recurso

Os nomes de usuário no WhatsApp vão acabar com a necessidade de ter o número…

11 horas ago

João Fonseca perde para russo e é eliminado na 3ª rodada em Wimbledon

De um lado estava um tenista que faz, em Wimbledon, sua melhor campanha na temporada…

11 horas ago

Emendas PIX: PF faz operação em quatro estados para apurar uso irregular de recursos públicos

A Polícia Federal (PF) cumpre nesta sexta-feira (3) 41 mandados de busca e apreensão em Roraima, na…

11 horas ago

‘Doleiro moderno’, alvo de sanção pelos EUA foragido usou mais de 70 empresas para lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas, diz PF

O empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, foragido da Justiça e alvo da Operação Exchange, deflagrada nesta…

12 horas ago

PONTO DE VISTA ESPORTE – Leila de Melo

  1- O América-RN já conhece as datas e os horários dos confrontos contra o…

12 horas ago

This website uses cookies.