POR QUE A NOVA DIREITA GANHOU ESPAÇO NO BRASIL –
A ascensão da nova direita no Brasil não foi um acidente histórico. Foi consequência de um cansaço acumulado econômico, moral e institucional.
Durante décadas, o debate público orbitou majoritariamente em torno da ampliação do Estado, da expansão contínua de gastos e de narrativas coletivistas apresentadas como únicas soluções possíveis. Nesse contexto, a nova direita surge não apenas como alternativa política, mas como reação cultural.
Ela propõe responsabilidade fiscal em um país cronicamente endividado. Defende liberdade econômica em uma nação sufocada por burocracia. Valoriza princípios tradicionais em um cenário de rápidas transformações sociais.
A eleição de Jair Bolsonaro, independentemente das avaliações sobre sua gestão, marcou uma ruptura simbólica. Milhões de brasileiros passaram a se declarar conservadores ou liberais sem constrangimento. O que antes era marginal no debate público tornou-se voz ativa nas ruas e nas redes.
Liberdade Econômica e Responsabilidade
A nova direita compreende que prosperidade não nasce do excesso de controle estatal, mas da liberdade para produzir.
A defesa do empreendedorismo, da simplificação tributária e da segurança jurídica não é apenas ideológica, é pragmática. Países que criaram ambientes favoráveis aos negócios alcançaram crescimento consistente e previsibilidade institucional.
No Brasil, essa pauta ganhou centralidade porque dialoga com quem trabalha, empreende e sente o peso do Estado diariamente.
Valores, Identidade e Soberania
Além da economia, há uma dimensão cultural.
A nova direita se posiciona na defesa da família, da soberania nacional e de limites claros entre Estado e vida privada. Para muitos brasileiros, isso representa estabilidade em meio a transformações aceleradas e conflitos identitários cada vez mais intensos.
Não se trata apenas de política pública, trata-se de visão de mundo.
Ordem, Segurança e Autoridade
A pauta da segurança pública também ganhou força. A defesa de políticas mais firmes contra o crime organizado e maior respaldo às forças de segurança ecoa principalmente em regiões afetadas pela violência.
A nova direita entende que liberdade só é possível onde há ordem.
Não é Extremismo, é Posicionamento
Críticos classificam o movimento como radical. Apoiadores enxergam clareza.
A nova direita não rejeita políticas sociais, mas questiona a lógica de dependência permanente. Defende oportunidades sustentáveis, não tutela contínua.
Esse debate é legítimo, e faz parte da maturidade democrática.
O Desafio do Futuro
O próximo passo é transformar discurso em consistência técnica, governabilidade e resultados concretos.
Falar bem da direita não significa ignorar erros ou idealizar lideranças. Significa reconhecer que ela representa uma parcela expressiva, organizada e crescente da sociedade brasileira.
Ignorar isso não é neutralidade, é desconexão com a realidade política do país.
Sara Natália – Graduanda em Direito
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