PONTE WALFREDO GURGEL –

 O Ministério Público Federal (MPF), em atenção a solicitação do Comitê Estadual por Memória, Verdade e Justiça do Rio Grande do Norte (CEV-RN), recomenda a retirada de nomes de violadores de direitos humanos fundamentais, homenageados em obras estruturais e logradouros públicos da capital e de diferentes outros municípios do estado, na vigência do regime militar.

Os mais visados são os ex-presidentes da República, Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo. Em Natal, 14 desses espaços públicos foram nominados com os generais aqui citados. Porém uma homenagem foi especialmente icônica pela magnitude da obra: a Ponte Presidente Costa e Silva, mais conhecida como ponte de Igapó.

A primeira ponte de Igapó, situada no bairro do mesmo nome, uniu as duas margens do Rio Potengi. Construída em 1916, somente para tráfego ferroviário, após adaptar-se pranchões de madeira entre os trilhos serviu durante muitos anos como o principal acesso rodoferroviário entre as zonas Norte e Sul da cidade e para microrregiões do litoral do estado.

O gargalo criado pela faixa única da ponte metálica em relação ao elevado tráfego de veículos existentes na antiga rodovia RN-4 – atual BR-101-, impedia o desenvolvimento da outra margem da cidade. Eis que assumiu o governo do Rio Grande do Norte o governador-monsenhor Walfredo Gurgel (1966-1971).

Coube ao governo do monsenhor realizar o sonho do natalense e dos munícipes circunvizinhos livrando-os do incômodo de trafegar pela ponte ferroviária adaptada para veículos automotores. Através convênio firmado entre os governos federal (DNER) e estadual (DER-RN) foi construída uma ponte em concreto com duas faixas rodoviárias e uma ferroviária.

A asneira cometida numa tentativa de demolição desvirtuou a velha ponte de Igapó. Obras congêneres, em Florianópolis (SC) e em Vitória (ES), estão bem conservadas e admiradas como pontos turísticos marcantes em ambos os estados.

No governo Geraldo Melo (1987-1991), a ponte foi ampliada com a construção de mais duas faixas de tráfego e um canteiro central. Formou-se estrutura compacta com 530m de extensão, que aliviou o tráfego na região por quase duas décadas, até Wilma de Faria entregar a ponte pênsil Natal – Redinha, em 2007.

Ao ser inaugurada no final do governo Walfredo Gurgel, a ponte sobre o rio Potengi coroou a administração do clérigo governador. O fato de os recursos alocados para a construção da obra serem federais ensejou nominá-la de Ponte Presidente Costa e Silva.

Caso venha a ser trocado o nome oficial da ponte de Igapó, tenho ouvido sugestões qualificando, Walfredo Gurgel, para receber tal honraria. Foram quase duas décadas de sua existência dedicadas ao serviço público do estado como deputado federal, senador, vice-governador e governador do Rio Grande do Norte.

Acredito que nenhuma opinião contrária surgirá perante a indicação do monsenhor potiguar. O fato de ter sido o mentor e executor da mais almejada obra de uma época, também contribuirá para a homenagem. Que batizemos, pois, a dita estrutura como Ponte Walfredo Dantas Gurgel.

 

 

 

José Narcelio Marques Sousa – Engenheiro civil

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