PODER E SABEDORIA –

​Poder e sabedoria, como é desejável, raramente andam juntos. Quem chega ao poder, geralmente, revela seu verdadeiro caráter. O sábio age seguindo princípios éticos e com rigoroso bom senso. Quase sempre, quem tem poder não tem sabedoria e o avesso também acontece.

Na França, sagesse (sabedoria) significa correção, o bem e a verdade. No Brasil, foi dada também outra concepção, esperteza: Não vem com sabedoria para mim, não. Há um ditado popular, filosófico, que ensina: Muita sabedoria espanta a felicidade. É aconselhável a moderação.

Sábio foi o rei Salomão. Quando Deus perguntou o que desejava, ele pediu sabedoria para governar o seu povo. E foi concedida. A rainha de Sabat, que a tradição considera negra, bela e sábia, testou a sabedoria salomônica, ampliando seus conhecimentos.

O genial Confúcio não teve poder político, mas ensinou o padrão da honestidade pessoal e administrativo. A sua doutrina influenciou todo o Oriente e tem influência no mundo Ocidental.

​Os Reis Magos, que talvez fossem três, não eram mágicos, mas sábios. Deviam ser astrônomos, seguiram a Estrela e ofertaram ao Menino Deus ouro, incenso e mirra. Ouro representava a realeza, poder; incenso a fé, e mirra usada para o futuro embalsamamento. Os seus restos mortais teriam sido levados, no passado, a Constantinopla, mas há um monumento na Catedral de Colônia, na Alemanha, onde os fiéis acreditam que lá eles descansam. A Fortaleza dos Reis Magos identifica e valoriza a identidade potiguar, justamente reverenciada.

​O Imperador Marco Aurélio tem, ainda hoje, admiradores de suas meditações. A sua filosofia de sabor do estoicismo revela o valor de um perfeito livro de autoajuda. No seu governo, enfrentou guerras em defesa do Império Romano. Disse que tinha aprendido com o seu pai as virtudes da modéstia e da virilidade. Como treino, liderou um grupo de dança de ritual guerreiro.

​A libertadora dos negros escravos foi a versada princesa Isabel. Substituindo Dom Pedro por quase quatro anos, promulgou a Lei do Ventre Livre, imaginou a criação do Mercosul e, através do barão de Rio Branco, estabeleceu fronteiras do Brasil. Talvez por essa razão, na primeira eleição republicana, chegou a ser votada à Presidência da República.

​A China invadiu e dominou o Tibet. O chefe de Estado, o Dalai Lama, lamentou a invasão, mas não o seu sofrimento. Em conversa com o Arcebispo Tutu, da África do Sul, declarou: “Perdemos o nosso país e me tornei refugiado, mas isso me deu oportunidades. A oportunidade de conhecer outras pessoas e, como Líder Espiritual do meu povo, ser mais útil.”

​O poder, muitas vezes, corrompe. A sabedoria eleva e significa integridade.

 

 

 

 

 

Diogenes da Cunha Lima – Advogado, Poeta e Presidente da Academia de Letras do RN

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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