PODE SERVIR –

“Hum… muito bom! Pode encher mais”.

Talvez você já tenha ouvido isso em alguma mesa de restaurante, bistrô ou onde você esteve com amigos queridos, degustando um vinho, celebrando algo especial, ou não.

Você já observou que aquele que solicita a ‘carta de vinhos’ e escolhe o vinho que será degustado tem o “mérito” de ser servido primeiro? Prestou atenção que em sua taça é colocado apenas um “tiquinho”…  e que quem está servindo fica ao seu lado esperando uma resposta?

Pois é. Nesse instante tem uma regrinha de ouro que reclama a nossa atenção.

O garçom pressupõe que você, por pedir a carta de vinhos e escolher, é o “comandante” do evento ou designado pelo anfitrião para tal missão; ou ainda, como diz minha irmã Vera Lúcia, “só pra se mostrar”.

Sim, e por que ele – o garçom – não serviu a todos indistintamente e na proporção adequada para cada um?

É que cabe a você dar a ordem de servir, a partir de uma resposta simples e objetiva: “Pode servir” ou sinalizar delicadamente com a cabeça, positivo. E isso se dá pela “confiança” depositada no momento que você foi quem pediu e escolheu. E para que o garçom sirva aos demais, espera sua aprovação. Aí então você aparentemente passa a ser ‘penalizado’, pois só será complementado com a quantidade adequada (⅓ da taça), depois de ele servir igualmente aos outros da mesa, preferencialmente as mulheres.

Um detalhe importante: nunca responda em voz alta e nem diga “muito bom” ou qualquer outra expressão que manifeste sua opinião sobre o vinho servido. Isso com certeza influenciará os demais, criando expectativa de que aquele seja o melhor vinho. E pode ser que não seja tão bom assim, no gosto dos outros.

A sua missão – de escolhedor – é de apenas checar o aspecto visual e, com o olfato e paladar, verificar se o vinho está em condições de ser degustado, ou se apresenta algum sinal de avinagramento ou outro aspecto depreciativo. Por isso, sua resposta é apenas e apenas dizer: “Pode servir” ou “Não servir”.

Se você atestar que o vinho não está em condições de ser consumido, não precisa gritar: “Ei, garçom, esse vinho tá ruim”. Basta comunicar, educadamente, que o vinho não lhe parece em condições de servir, o que, de praxe, será repassado ao sommelier, ou o próprio garçom tomará a natural providência: substituir por outro, de sua escolha.

Se em um jantar o vinho vai ser a tônica, ou seja, não será consumido apenas um, sugiro como entrada um vinho branco Sauvignon Blanc, da África do Sul, tipo um ‘Lyngrove Collection’, refrescante, leve, mineralizado, aromático e ótimo para, digamos, apurar o paladar. Ou um tinto leve, Pinot Noir, do Chile, preferencialmente do Valle de Leyda, ou ainda um rosé ‘Villa Real’ português.

Dependendo do envolvimento dos comensais com os vinhos, por consulta, diversifique a casta do vinho. Porém é interessante que o vinho que esteja sendo degustado no momento que o prato principal for servido seja mantido. Caso optem por mudar, troquem as taças (muita atenção a elas) e preparem as papilas gustativas com pequenos goles de água, para seguir degustando o vinho que melhor se adeque ao cardápio servido.

Ah, está só você e a amada? Abra um sorriso, toque suas mãos sedosas e vá de ‘1853 Old Wine Estate Malbec’ de Mendoza, Argentina. Um romântico tinto de coloração púrpura, aromas intensos de frutas vermelhas e frescas, sabor doce, macio e redondo e final longo, elegante e persistente (tal qual seus sussurros entre um olhar e um desejo).

Quantos detalhes!

Se o vinho servido agradou a você e aos convidados, expresse um sorriso de satisfação e então, erguendo a taça (pela haste), diga: “Muito bom… Muito bom!”.

E respeite a opinião dos outros.

Um brinde, celebrando a vida!

 

Carlos Alberto Josuá Costa – Engenheiro Civil e Membro da Academia Macaibense de Letras (josuacosta@uol.com.br)

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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