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Petrobras poderá rever preço da gasolina

A queda acentuada do preço do petróleo no início deste ano pode gerar uma pressão por parte do governo para que a Petrobras reduza os preços dos combustíveis no mercado interno. O objetivo, segundo especialistas, seria reduzir o impacto na inflação, que já alcançou dois dígitos.

“Com a queda forte do petróleo, parte do mercado, da qual me incluo, avalia que o governo se sentirá tentado a pressionar a Petrobras para reduzir os preços da gasolina e do diesel, para reduzir a inflação”, afirmou Flávio Conde, da consultoria WhatsCall.

A diretoria da Petrobras tem realizado, a cada três meses, uma análise da curva de preços do barril do petróleo, para decidir a estratégia de preços dos combustíveis. A última avaliação nesse sentido seria feita no fim do ano passado. Nesse caso, em tese, a petroleira pode decidir pela redução do prêmio praticado sobre o preço internacional, por razões comerciais.

De acordo com cálculos mais recentes do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), na segunda-feira, o preço da gasolina nas refinarias nacionais estava 14,4% acima do valor praticado no Golfo do México. No caso do diesel, a diferença era de 47,1%.

Ontem, o barril de petróleo do tipo Brent ultrapassou a linha dos US$ 35 e fechou a US$ 34,63, com queda de 6,13%. Já o barril do petróleo WTI fechou cotado a US$ 35,20.

“A Petrobras ficará em uma situação difícil em 2016 por causa da dívida elevada. Por outro lado, em curto prazo, ela terá um ganho pelo prêmio cobrado na gasolina e no diesel no mercado doméstico, em relação à queda do preço do petróleo no mercado internacional”, afirmou o diretor do CBIE, professor Adriano Pires.

Segundo Conde, porém, o efeito do prêmio para as contas da Petrobras tem se reduzido devido à queda da demanda por combustíveis no país. No terceiro trimestre de 2015, a companhia importou 218 mil barris diários de derivados, 47% a menos que o observado em igual período do ano anterior.

Para o consultor, a queda do petróleo também impacta negativamente a Petrobras, no longo prazo, ao tornar menos atraente os novos projetos de produção da companhia. Nessa linha, a expectativa na estatal é de um novo corte na previsão de investimentos, no plano de negócios 2016­2020, que deve ser lançado até fevereiro.

Ontem, a ação PN da Petrobras fechou o pregão da BM&FBovespa com queda de 4,19%, cotada a R$ 6,40, no valor mais baixo para o papel desde agosto de 2004. A ação ON caiu 4,62%, para R$ 8,06.

Ponto de Vista

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