O curador de cinema carioca é um dos 22 feridos no acidente que atingiu o Elevador da Glória, um dos bondinhos mais tradicionais da capital portuguesa. Ele passou por microcirurgias nas mãos e nas costas, recebeu dezenas de pontos e teve alta do hospital horas depois.
“Fiquei horas sendo costurado”, relatou. No entanto, ele conta que a principal cicatriz está na cabeça. “Acho que essa sensação de pânico, de uma angústia tremenda e das imagens que ficam vindo”, continuou o curador.
Gustavo contou ainda que não costuma passar pelo local e não entende como sobreviveu: “é um lugar que eu nunca passo, não sei o que me fez passar por lá”.
Gustavo disse ao Fantástico o que lembra daquela tarde. “Ouvi um estrondo grande, olho para a frente e vejo o bondinho vindo na minha direção, mas na diagonal”, disse.
“Estava tão perto que só o tempo de eu virar e me jogar parecia impossível, e eu fiz isso. Levantei, vi que tinha sangue nos braços, na cabeça, estava coberto de sangue”, pontuou.
O Elevador da Glória funciona desde 1885 e transportava até 800 mil pessoas por ano. O acidente provocou comoção em Lisboa: moradores e turistas deixaram flores, velas e bilhetes no local.
Cinco das vítimas eram portugueses — quatro funcionários da Santa Casa de Misericórdia e o condutor André Marques, que receberá homenagem ao dar nome a um novo bonde da cidade.
Entre os mortos e feridos há pessoas de oito nacionalidades. Um menino alemão de 3 anos sobreviveu após ficar sozinho no local e ser resgatado por um comerciante de Bangladesh.
A investigação preliminar indica que o cabo de aço que puxava os bondes se soltou. O bonde que subia desceu sem controle por 170 metros até descarrilar em uma curva, atingindo prédios e postes a cerca de 60 km/h.
A Carris, empresa pública que opera os bondes, informou que realiza inspeções diárias e havia feito manutenção na manhã do acidente. Mesmo assim, a tragédia levantou questionamentos sobre os protocolos de segurança.
O caso fez lembrar o acidente com um bonde em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, em 2011, que deixou cinco mortos. A Carris chegou a prestar consultoria ao sistema brasileiro depois daquela tragédia.
“Graças a Deus eu não morri, mas tem um peso imenso que fica”, resumiu Gustavo.
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