PENSANDO O FUTURO – Roberto Goyano

PENSANDO O FUTURO –

Chegamos ao fim de um ano conturbado.

Estava pensando em fazer uma retrospectiva, como sempre acabamos fazendo.

Busquei fatos positivos como o início da vacinação mas foram tantos fatos negativos que teria que garimpá-los entre as crises vividas, achei melhor não fazê-la.

Acreditei que seria mais fácil colocar minhas perspectivas para o ano que se inicia.

Comecei a analisar o panorama atual quanto a situação econômica, política e social.

O clima belicoso entre poderes, disputa por mais e mais verbas do orçamento pelo congresso, desemprego, fome, inflação, um novo alerta sobre a Covid 19 e sua nova cepa, o embate entre direita e esquerda, queda da massa salarial e a ruptura da âncora fiscal dificultam sobremaneira a análise.

As incertezas são tamanhas que fica difícil fazer algum prognóstico com alguma boa margem de segurança, ainda mais em um ano político com eleições gerais à frente.

A única certeza que teria, e acredito constar de qualquer prognóstico sério, é que quem quer que se eleja para a presidência terá uma luta árdua pela governabilidade, isto por conta do apoderamento pelo congresso de mais da metade da verba disponível para investimentos.

É quase um exercício de futurologia ou melhor, de advinhação.

Ainda assim iniciei essa análise que me levou para um caminho diferente do que pretendia.

Numa leitura ampliando o arco temporal para avaliar crises anteriores, suas consequências e soluções, visando melhor identificar tendências, percebo a falência do atual modelo do Estado Brasileiro.

O Estado atual é gerador de concentração de renda e de profunda desigualdade social, não tendo políticas efetivas para melhorar essas questões.

Criou um sistema de privilégios que beneficia a elite de funcionários públicos em detrimento de políticas públicas relevantes.

A política hoje tem o fim em sí mesma ou a favor de seus atores, beneficiando também pequenos grupo de interesse que não promovem nenhum retorno social.

Na área econômica estamos vivenciando já há algum tempo uma desindustrialização, queda de empregos e da massa salarial afetando cada vez mais a maioria da população.

Vemos renuncias fiscais em benefício de grupos de interesse que, em sua maioria, não retorna o pactuado além de, em outras circunstâncias, um protecionismo que leva ao atraso e baixa produtividade.

Um novo modelo deverá ser arquitetado e implementado em bases de maior retorno.

Não se trata apenas de redimensionar o estado mas colocá-lo, sim, em outras bases que promovam a melhoria dos serviços prestados e recompensem a produtividade e merecimento. Essa questão deverá ser levada a todos os entes da federação ou seja, estados e municípios que deverão estar nos mesmos moldes.

Reavaliar municípios que não sobrevivem sem ajuda gerando deficites importantes a seus estados.

A própria política em sua base distorcida, de seus atores em excesso, com um universo de assessores e agregados deverá ser totalmente remodelada, o país não suporta tamanho encargo.

Todos os poderes deverão ser revistos em bases reais, o foco é o interesse público, não de classes ou castas como costumo dizer.

Quanto a salários terão que estar dentro de parâmetros exequíveis sem adicionais e benefícios insuportáveis.

Os números não fecham.

A economia deverá ser focada no mercado, um mercado sem protecionismo e aberto à livre concorrência, isso gera maiores investimentos em capacitação e produtividade.

Investimentos devem ser avaliados quanto a exequibilidade e seu retorno efetivo, o estado empresa deve deixar de existir, isso gera distorções e um alto grau de corrrupção.

A politica fiscal deverá ser revista com a participação de especialistas e representantes da classe produtiva em suas esferas, não apenas grupos de interesse.

Exportação, projetos relacionados a energia limpa, meio ambiente deverão ser ampliados e, apoio ao setor de manufaturados devem ser melhor conduzidos.

O foco principal deverá ser educação básica.

A educação gera oportunidades e isso falta neste país.

Educação básica de qualidade, sem isso não sairemos de onde estamos.

Remodelar o ensino superior, não acredito no modelo atual, talvez nos moldes do sistema americano com bolsas para os menos favorecidos que atendam às exigencias de cada universidade.

Especialistas poderão melhor definir um modelo.

Ciência e tecnologia é assunto fundamental para o desenvolvimento, não podemos mais perder tempo.

Saúde pública é outro foco que demanda atenção, muita atenção.

Já temos um modelo muito bom que, se bem ajustado, com investimentos atenderão a maior parte de nossas necessidades.

Enfim cheguei a essa conclusão, que não é prognóstico mas é uma idéia que coloco no ar, esperando que mais pessoas compartilhem dela.

Ser otimista está ficando muito difícil, estou cético quanto ao que nos aguarda.

Espero que iniciemos uma transformação em base mais realista levando em conta as nossas possibilidades.

Precisamos de ações firmes na direção de um futuro melhor.

Não terei tempo de usufruir de uma mudança desta monta, tenho mais passado que futuro e sou obrigado a considerar a morte como uma probabilidade concreta.

Deixo pelo menos essa ideia para que avaliem, aprimorem e provoquem um amplo processo de mudança para que se possa ter um futuro promissor.

 

 

 

 

 

 

 

Roberto Goyano – Engenheiro

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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