PEÇAS DE UM MOSAICO…  – Flávia Arruda

PEÇAS DE UM MOSAICO…  –

Hoje, ao olhar para trás, sinto uma certeza profunda e reconfortante de que aqueles momentos que vivemos juntos foram, de fato, efêmeros. Eram instantes transitórios, como folhas levadas pelo vento, que nos permitiram embarcar em uma viagem interna pelos nossos íntimos. Cada um desses momentos foi um convite sutil para resgatar o melhor que havia em nós, um mergulho profundo nas águas de nossa própria essência, onde as emoções se entrelaçam e revelam verdades ocultas.

O fato é que havia uma necessidade latente de reencontrar a nós mesmos, de buscar o que havia sido esquecido ou deixado de lado na correria do cotidiano. Eu e você, imersos nessa dança de sentimentos que nos envolvia, desempenhamos o papel de coadjuvantes em uma narrativa muito maior. Os verdadeiros protagonistas dessa história foram nossos desejos, nossas vontades e anseios, clamando por se redescobrir e se reencontrar. Era como se estivéssemos à sombra de algo mais grandioso, um enredo que se desenrolava em nosso interior, revelando camadas de significado que antes não percebíamos.

Agora, após o desfecho desses momentos, consigo refletir com clareza sobre a importância de termos vivido e sentido todas aquelas sensações prazerosas que inundaram nossas almas. Cada emoção, cada risada compartilhada e até mesmo as lágrimas que escorriam em momentos de vulnerabilidade tornaram-se peças de um mosaico vibrante que constrói nossas vidas. Essas pequenas peças, embora discretas e, muitas vezes, subestimadas, estão firmemente assentadas nos alicerces do nosso ser, formando uma base sólida sobre a qual erguemos nossas experiências.

Lembro-me de como cada uma dessas experiências, outrora tão significativas, contribuiu para nosso amadurecimento e discernimento sobre as complexidades da vida. Cada vivência, por mais simples que parecesse, foi necessária, como um tijolo na construção de nossa compreensão sobre o curso da nossa própria existência. Elas nos ensinaram lições valiosas, moldando nosso caráter e ampliando nossa visão de mundo.

Assim, ao revisitar essas memórias, percebo que, mesmo sendo adjuntos em nossa própria história, desempenhamos um papel fundamental. Afinal, é no entrelaçar de nossas narrativas que encontramos a verdadeira riqueza da vida. E, ao final, somos todos protagonistas de nossa própria jornada, mesmo que, por um tempo, tenhamos nos permitido ser apenas coadjuvantes, assistindo ao desdobrar de um enredo que, por sua vez, nos transforma e nos ensina a cada passo.

 

 

 

 

 

Flávia Arruda – Pedagoga e escritora, autora dos livros “As Esquinas da minha Existência” e “As Flávias que Habitam em Mim”, crônicasflaviaarruda@gmail.com

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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