PARLAMENTAR OU PARA LAMENTAR? – Luiz Serra

Enquanto o erário está à mingua, prefeitos e governadores estrilam que a receita está escassa; na contramão sadia, a população brasileira clama contra os gastos do Legislativo. Senado e Câmara Federal é espelho para as demais legislaturas do interior e das cidades. São regalias que não têm paralelo para os demais trabalhadores brasileiros. A base é a cota parlamentar que ano passado saltou de R$ 25 mil para R$ 38 mil. A justificativa? O legislador precisa ter caixa para gastos pessoais de restaurante, gasolina, material de escritório, passagens aéreas. E para a moradia, uma ajuda de custo de R$ 3,8 mil, na condição de não ter um imóvel funcional. Além do que estes são considerados moradias de luxo, servidos com hidromassagem e equipados nas principais marcas de arquitetura da capital.
E no quesito ressarcimento de despesas médicas? Ilimitados os gastos. Neste caso os parlamentares são reembolsados mediante a apresentação de notas fiscais. Se este fator fosse estendido aos demais trabalhadores brasileiros, começaríamos a entrar no primeiro mundo! E como tem gente querendo trabalhar como assessor de parlamentar. A cota para contratação de secretários (até 25 assessores) é de R$ 78 mil. Vejam este item, que mais parece saído de um edito imperial. As contratações são da escolha pessoal dos parlamentares. E mais: não se vinculam à política de recursos humanos da Câmara.
Comparemos como evoluiu a receita parlamentar. Nos idos de 1980, um parlamentar eleito pelo povo obtinha um salário similar a de um engenheiro, fazia jus a três assessores e recebia uma pequena ajuda de custo para despesas com o gabinete. E vez ou outra pegava uma carona em avião da FAB, isso quando saía uma viagem oficial. A partir desse tempo, os privilégios só aumentaram. Em 1986, o custo mensal de um deputado federal era de C$ 27 mil, equivalente a 33 salários mínimos. Já em 2013, o mesmo custo saltou para R$ 138 mil, que é equivalente a 203 salários mínimos.
Recentemente, sob pressão popular, o Congresso reduziu alguns privilégios. Caíram os 14° e 15º salários. Assim que derrubaram essas execráveis regalias, apressaram-se em aumentar os valores do auxílio-moradia e os ilimitados ressarcimentos com despesas médicas. É para ter esperança? O que esperar ainda desses representantes do povo; afinal, é custo parlamentar ou para lamentar?
Luis SerraProfessor e escritor
As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
Ponto de Vista

Recent Posts

COTAÇÕES DO DIA

  DÓLAR COMERCIAL: R$ 5,2110 DÓLAR TURISMO: R$ 5,4120 EURO: R$ 6,0510 LIBRA: R$ 7,0660…

3 horas ago

Receita Federal libera R$ 17,6 milhões em restituição do IR no RN; veja como consultar

A Receita Federal libera nesta segunda-feira (31) o crédito do quarto lote de restituição do…

3 horas ago

Vazamento de gás provoca incêndio na casa de presidente do TSE, ministro Nunes Marques

Um vazamento de gás provocou incêndio na casa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)…

4 horas ago

PONTO DE VISTA ESPORTE – Leila de Melo

1- O Barcelona avançou nas negociações para contratar Gabriel Jesus, do Arsenal. O atacante brasileiro,…

4 horas ago

Homem é preso após pilotar moto com teor de álcool quase cinco vezes acima do limite na Grande Natal

Um homem de 42 anos foi preso, nesse sábado (29), após ser flagrado pilotando uma…

4 horas ago

Jacky Godmann e Gabriel Nascimento são prata no Mundial de Canoagem

Jacky Godmann e Gabriel Nascimento conquistaram a prata no C2 500m neste domingo (30). Essa…

4 horas ago

This website uses cookies.