O papa Francisco começou, neste domingo (5), em Quito, viagem de nove dias ao Equador, à Bolívia e ao Paraguai. Depois de dois anos, o papa Francisco volta ao seu “querido” berço sul-americano com uma aclamada mensagem de “justiça social” para os pobres.
O avião pousou às 14h43min locais (16h43min de Brasília) no aeroporto Marechal Sucre, 20 km a leste da capital equatoriana. Sorridente, Francisco desceu as escadas minutos depois e recebeu um abraço do presidente equatoriano, Rafael Correa.
O papa argentino avançou, em meio a saudações, por uma fileira formada por crianças indígenas, vestindo trajes tradicionais. Cercado por Correa e pela primeira-dama, Anne Malherbe, Francisco ouviu durante vários minutos notas de uma orquestra sinfônica.
Do domingo ao próximo dia 13, o primeiro papa jesuíta latino-americano cumpre a viagem mais longa desde que foi eleito, em março de 2013. Ele fará, no período, 22 discursos e subirá sete vezes a bordo de um avião para percorrer 24 mil quilômetros.
A participação da Igreja Católica no debate democrático, o respeito pela identidade cultural de cada país, a proteção do ambiente e das famílias que sofrem são temas que o papa vai abordar, informou o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin.
Quito e Guayaquil, no Equador, La Paz e Santa Cruz, na Bolívia, Assunção e Caacupé, no Paraguai, são as cidades a serem visitadas. Apesar dos seus 78 anos, o papa não teve a menor dúvida ao escolher um programa intenso, explicou o porta-voz, Federico Lombardi.
Jorge Bergoglio, que aos 20 anos foi submetido a uma cirurgia para retirar parte de um pulmão, vai mastigar folhas de coca para contrariar o “mal das montanhas”, quando estiver em La Paz, a 3.700 metros de altitude.
O papa vai celebrar cinco missas ao ar livre, esperando-se em cada uma entre 1 e 2 milhões de pessoas. Orações e cânticos serão entoados em línguas indígenas como guarani, quechua e amaira.
Na missa final, em Nu Guazu, em Assunção, as autoridades esperam a presença de 1 milhão de fiéis da Argentina, do Uruguai e do Brasil.
A visita vai ser também um ato de reconciliação com a história colonial espanhola na região, em que o papa vai abordar a influência jesuíta e a criação, entre os séculos 16 e 18, de missões católicas, onde eram agrupadas populações indígenas, em uma tentativa de protege-las e civilizá-las.
Jorge Bergoglio vai se encontrar com os presidentes Rafael Correa (Equador), Evo Morales (Bolívia), Horacio Cartes (Paraguai) e outros líderes.
A etapa da Bolívia incluirá dois momentos especiais: a visita à prisão Palmasola, perto de Santa Cruz, e em La Paz, um momento de recolhimento no local onde o padre jesuíta espanhol Luis Espinal foi assassinado por paramilitares em 1980.
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