O SUPORTE EMOCIONAL AOS FAMILIARES ENLUTADOS – Laíse Santos Cabral de Oliveira

O SUPORTE EMOCIONAL AOS FAMILIARES ENLUTADOS –

O tratamento do câncer na infância e na adolescência traz o medo da dor, do sofrimento, da mutilação e a insegurança em relação ao futuro devido ao risco de morte. Assim, se faz extremamente necessário o suporte emocional a tríade paciente-família-equipe. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), aproximadamente 80% das crianças e adolescentes com câncer podem ser curados, desde que o diagnóstico seja precoce e o tratamento seja realizado em centros especializados. No Brasil, o câncer representa a primeira causa de morte (8% do total) por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos. O suporte oferecido, seja individual ou em grupo, deve ser desde o momento do diagnóstico até o momento após a cura ou a morte.

Levando em consideração as situações dos pacientes que chegam a óbito, qual deve ser o suporte ofertado aos familiares? Como trabalhar um tema que ainda é tabu para a sociedade? As perdas exigem do sujeito a necessidade de elaboração e readaptação, o reconhecimento dos limites pessoais e da incompletude humana, bem como, a consciência de depender de algo ou alguém. Existem diversas perdas, como as perdas para a vida e as perdas para a morte, perdas de ordem reais e/ou simbólicas e perdas primárias e secundárias. A intensidade da dor diante de uma perda está relacionada à intensidade do apego.

No contexto das perdas para a morte, através do Projeto Fênix, a Casa Durval Paiva exerce um papel de suma importância no processo de atenção e cuidado aos familiares que vivenciaram uma situação de morte no tratamento do câncer. Não é porque a criança faleceu que o acompanhamento se encerrará.  Existe um trabalho desenvolvido aos enlutados, onde através de trocas de experiência do sofrimento vivido pelos familiares, no formato grupal, eles podem elaborar o luto, possibilitando a reconstrução de recursos e a viabilização do processo de adaptação às mudanças ocorridas em consequência das perdas.

É possível sentir certa resistência e dificuldade da maioria das famílias enlutadas a participar dos encontros em grupo, de modo que muitos optam pelo atendimento individual. Além disso, alguns possuem dificuldade em revisitar o local em que várias lembranças e sentimentos do processo de tratamento vêm à tona, pois era no hospital ou na casa de apoio, por exemplo, que os pacientes passavam a maior parte do tempo. O acolhimento deve ser ofertado e o tempo e a dor de cada um devem ser respeitados, visto que no momento do luto, para muitas pessoas, é difícil partilhar o que é mais sagrado para si, sendo difícil falar sobre a perda.

O luto é o processo de elaboração de uma perda de algo e/ou alguém com o qual se tem vínculo/apego e é um processo natural e necessário, sendo diferente de pessoa para pessoa, com intensidade de dor e expressão diferentes. Quando se perde alguém querido, com quem se tinha algum vínculo, é provável que se passe por algum grau de dor, pois, a partir da morte, podem surgir diversas perdas. Por isso, os espaços de acolhimento e escuta devem existir, seja no formato grupal ou individual.

 

 

Laíse Santos Cabral de Oliveira – Psicóloga – Casa Durval Paiva – CRP 17-3166

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores

 

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