O POVO ESCOLHIDO –

Os judeus sempre acreditaram e proclamaram ser o povo escolhido por Deus. São os primeiros monoteístas abraãmicos. Seguem, por excelência, a Lei, ou seja, a Torá bíblica. Deram nascimento a três religiões básicas: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.

“O povo escolhido”, necessariamente, teria de ter a mais expressiva participação na humanidade, criando ciência, arte, tecnologia.

Jesus Cristo, judeu, é o mais completo ícone do humanismo. Sua doutrina não tem paralelos no ensinamento da arte de viver.

 Muitos outros judeus mudaram o rumo humano. Albert Einstein tornou-se base de conquistas científicas; Karl Marx, o sociólogo, influenciou, e ainda influencia, grandes povos com transformações políticas e sociais; Sigmund Freud criou a ciência do espírito, dando caminho a orientadores, psicólogos e psiquiatras. Muitas vidas são salvas pela transfusão de sangue por seguidores de Karl Landsteiner.

No campo literário, Marcel Proust notabilizou a memorialística de profundidade. Ninguém melhor do que Hannah Arendt inovou o conceito de pluralismo político. O Brasil ganhou a ucraniana-recifense Clarice Lispector, a nossa maior escritora.

Entre os primeiros europeus a avistar o Brasil foram importantes os judeus vindos na frota de Cabral. Logo depois, vieram os “convertidos”, que buscavam a terra prometida, visando à liberdade e ao enriquecimento.

O maior lucro da emigração forçada do nosso país acarretou a presença entre nós dos judeus sefarditas. Aqui viveram e prosperaram, apesar de perseguidos, os chamados cristãos-novos. Obrigados, mudaram de religião e de nome, mesmo que muitos tenham conservado, secretamente, a sua crença, costumes, hábitos, jeito de ser.

Ayrton Senna, no automobilismo, elevou a bandeira do Brasil. Na música, temos Tom Jobim e Chico Buarque. O nosso maior poeta, Carlos Drummond de Andrade, é também descendente judaico. A imortal Lygia Fagundes Telles pontificou nos mais de cem anos idos e vividos.

Todos os “novos cristãos” adotaram nomes novos, prenomes e sobrenomes retirados, sobretudo, de lugares, plantas, animais.

A senhora de engenho Branca Dias, perseguida pelo Santo Ofício, em razão da prática secreta do judaísmo, foi a primeira a criar estabelecimento para educação feminina. A potiguar Nísia Floresta Brasileira Augusta era filha de português, Dionísio Gonçalves Pinto Lisboa, que tinha sobrenome de cristão-novo. Nísia fundou o Colégio Augusto, primeiro educandário de educação feminina, que funcionou no Rio de Janeiro.

Murilo Melo Filho foi enviado por Adolf Bloch para fazer relações públicas em Brasília. Para tanto, comprou uma lancha para agradar personalidades. Murilo sugeriu que dispensasse a lancha, que muito servira, disse que não precisaria de fazer novas relações. Adolf recusou: “Amigo, por falta de relações públicas perdemos Jesus Cristo. Esse é homem que se perca?”

 

 

 

 

Diogenes da Cunha Lima – Advogado, Poeta e Presidente da Academia de Letras do RN

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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