O PODER DO SILÊNCIO – Ana Luíza Rabelo

O PODER DO SILÊNCIO –

Nossa cultura já incutiu na maior parte das pessoas o poder do silêncio, mas o fato é que nunca damos a ele o seu verdadeiro valor.

Se acreditarmos que “quem cala consente”, concordamos que aceitamos tudo aquilo que não for expressamente rechaçado. Calados, consentimos com a miséria dos pedintes na rua, consentimos com a falta de honestidade das pessoas em geral e, muitas vezes, com as nossas próprias, antiéticas, atitudes. O silêncio nos torna cúmplices, reféns e algozes. O silêncio nos corrompe, nos oprime e, sobretudo, nos torna criaturas frias.

No mesmo nível das afirmações anteriores, encontramos outra pérola do conhecimento popular que ensina que “em boca fechada não entra mosca” e, neste caso, o silencio é justificado e exaltado. A inércia aparece mais uma vez, agora como ponto positivo. Outros exemplos de atitudes semelhantes são dados diariamente. “Quem não chora, não mama” e “quem tem boca vai à Roma” fomentam a dialética humana e estimulam momentos de reflexão.

O ponto crucial de tantas lições é a ética. Tudo converge para quando falar ou quando calar. Qual é o momento exato de se lançar mão deste ou daquele ditado?

Cada pessoa tem seus princípios e por eles deve guiar-se no decorrer de sua jornada, mas existem, ou pelo menos deveriam existir, pontos em comum entre todos os objetivos humanos.

O bem maior e a felicidade do próximo devem auxiliar-nos no desenrolar de nossa existência. Falar ou calar deve ser uma escolha firmemente alicerçada em princípios éticos e morais.

O falar deve ser movido pelo desejo de ajudar alguém, de esclarecer uma situação, de elogiar ou de trazer algum ensinamento. Denunciar alguém que abusa, que maltrata outra pessoa, é um ato de coragem. Essas situações não podem passar “em branco” e calá-las constitui uma infração tão grave quanto executá-las nós mesmos. Denunciar alguém que abusa, que maltrata outra pessoa, é um ato de coragem. Trazer alegria e tecer elogios sem quaisquer outras intenções é maravilhoso. Consolar ou defender a outrem são atos tão louváveis e inexistem palavras para caracterizar ou retribuir tais gestos.

O calar, assim como o falar, deve ser exercido com reserva e meditação. Deve ser consciente e zeloso, para que não se confunda com a omissão nem com a propagação inconsequente e inverídica dos fatos. Diante da injustiça, falamos; diante da boataria, calamos. Não é à toa que nós temos dois ouvidos e apenas uma boca. Ouvir é muito mais importante que falar. Em certas circunstâncias, porém, calar é aceitar, permitir, e nem sempre nossa boca consegue ficar em silêncio enquanto a consciência grita.

Nós somos livres para usar ou não nossas palavras, mas estas opções nos vinculam à escolha que fazemos e por isto a parcimônia deve ser companheira constante em nossa vida, para que possamos usar a nossa voz para melhorar o mundo ao qual pertencemos.

 

Ana Luiza RabeloAdvogada (rabelospencer@ymail.com)

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
Ponto de Vista

Recent Posts

Fortuna de Elon Musk bate recorde e alcança US$ 788 bilhões com alta das ações da Tesla

A riqueza de Elon Musk voltou a atingir um patamar histórico nessa quinta-feira (22), impulsionada pela…

18 horas ago

COTAÇÕES DO DIA

DÓLAR COMERCIAL: R$ 5,3080 DÓLAR TURISMO: R$ 5,4970 EURO: R$ 6,2110 LIBRA: R$ 7,1560 PESO…

22 horas ago

Espanha recusa convite de Trump para fazer parte do ‘Conselho da Paz’; veja lista de quem mais declinou

A Espanha recusou o convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para fazer parte do "Conselho da Paz"…

22 horas ago

Programa Ponto de Vista alcança a marca de 81.600 de visualizações!

Nós que fazemos o Programa Ponto de Vista celebramos as 81.600 de visualizações no Youtube!…

22 horas ago

Espanhol com suspeita de superfungo mora em Pipa e passou 15 dias em unidade de saúde de Tibau do Sul

O paciente de 58 anos com suspeita de estar com o superfungo Candida auris, no Rio…

22 horas ago

Tartarugas são flagradas desovando no litoral do RN pela manhã, fato incomum

Duas tartarugas-de-pente foram flagradas nessa quinta-feira (22) desovando na praia de Búzios, em Nísia Floresta,…

22 horas ago

This website uses cookies.