O GOSTO BOM DA CHEGADA –

Retomei o desejo de escrever algo sobre “Chegada”.

Sim, chegada no sentido de  “estar ali”, chegar de corpo e alma.

Uma situação vivenciada tempos atrás foi o mote: Após um dia de trabalho gratificante (para mim sempre foi assim), ao abrir o portão de casa, a cadela “Xuxa”, dálmata, explodiu de contentamento, expressão manifestada pelo movimento desenfreado de sua cauda.

No entanto, ao entrar em casa, cada um dos humanos, nos seus afazeres e reclusões mal levantaram a vista para distinguir quem chegara: eu sou um estranho?

Claro que não me deixei contaminar e fui dando um “alô” e um “tudo em ordem”, tal como um jato d’água, para despertá-los. Talvez, se eu não fosse escolado pela vida, teria saído de fininho e repetido tantas “chegadas” até surgir algum sinal de manifestação: “Oba! Chegou ele!”.

“Chegar” é uma dádiva de Deus para cada um de nós. Você já reparou o que gera de expectativa a espera por uma “chegada”? Seja o dia da viagem, o do casamento, o de ir para o jardim de infância, o colégio, a faculdade, seja o dia do encontro com a namorada, o dia do futebol, o de mudar de casa, o da formatura, o da festa, o da palestra, o dia do show, o dia do aniversário, o do nascimento do filho, do neto, seja o dia de receber os amigos em casa, o dia de assumir o emprego, o de festejar aquela realização, seja o dia de ajudar, enfim seja qualquer dia de “chegada”.

Um detalhe sutil e significativo para quem chega é saber que na reta de chegada tem alguém com o coração estendido nos braços e sorrisos na alma para recebê-lo.

É muito gratificante! É como ancorar o barco da amizade na vastidão do amor.

Ser aceito não é simplesmente uma necessidade do ser humano; é a plenitude divina que faz do homem à imagem e semelhança do Criador.

É tão reconfortante que, igualmente, contagia de alegria quem chega e quem acolhe. É um momento único e tão significativo que, mesmo que tenhamos uma segunda “chance”, a emoção não terá a mesma intensidade daquele momento.

Preste atenção quando alguém (em qualquer dimensão) se aproxima e vislumbra a “chegada”, quantos anjos estão ali aplaudindo e vivendo conosco o momento de “romper” a fita dourada.

O que precede a chegada é a própria jornada que traz na bagagem, o esforço e o desejo de atingir o objetivo. Para que isso aconteça de forma estruturada, mesmo inconscientemente, é necessário se fazer “pausa” nas estalagens que nos acolhem na trajetória. “Estalagens” da compreensão, da aceitação, do respeito, do incentivo, do ouvir, do chorar juntos, do sorrir com o outro, do entender razões e decisões, do dar as mãos, enfim do valor pela vida. Resumindo: chegar junto!

Precisamos estar atentos, pois, em cada um desses “abrigos provisórios”, apenas devemos receber o bálsamo para continuar a jornada a que nos propomos.

Saber onde estamos e aonde queremos chegar, dará sentido a nossa caminhada, e de forma particular, nos encherá de força, garra, coragem para superar os obstáculos e vivenciar o gosto bom da chegada.

Nesse conjugar de emoções, não podemos tornar insignificante a bênção de Deus nas “chegadas” que ocorrem em nossa vida.

Mesmo que demoremos a prosseguir ao ponto de chegada, não devemos arrastar pelo resto da vida o sentimento de perda de tempo, de que tudo foi em vão, de não ter aonde chegar. Não é isso que Deus espera de nós.

Precisamos chegar e ser recebidos com alegria. Se assim não for, o que diremos aos que virão atrás de nós?

Acolher com amor aos que já chegaram e aos que estão a caminho, nos fará tão felizes quanto eles.

Lembremos que a “chegada” é transitória, pois quando estivermos lá, com certeza descobriremos que ainda precisamos prosseguir.

Façamos, pois, de nossa chegada – qualquer que seja ela, uma oração de agradecimento ao Senhor. E que cada chegada sirva de estímulo para uma nova partida.

“Graças a Deus, ele(a) chegou” é ou não um estado de paz em nosso coração?

 

 

 

 

 

Carlos Alberto Josuá Costa – Engenheiro Civil, escritor e Membro da Academia Macaibense de Letras (josuacosta@uol.com.br)

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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