O BAR E O AVARENTO – Berilo de Castro

Não existe coisa mais desagradável que participar e compartilhar em mesa de bar com pessoas avarentas. Não é difícil. Sempre estão presentes e são bastante participativos nas discussões e muito afirmativos em suas posições. Costumam acompanhar todos os pedidos e identificar muito bem aqueles que bebem um bom uísque, os que só tomam cervejas, os que só tomam ron montila, enfim, são verdadeiros ativos vigilantes da esbórnia.

Quando se atrevem (muito raramente), a pedir alguns petiscos, procuram logo saber o preço e, com certeza pedem para dividir o pagamento com alguém. Devoram tudo muito rápido e só pagam a sua porção: meio prato, um terço e, por aí caminham, se deleitam e se embriagam de felicidades.

Uma certa passagem, com um notável sovina na mesa, que só bebia cerveja (seu doce predileto), vendo que estava muito difícil controlar e dividir a conta no final e, se achando lesado porque bebia devagar em relação aos companheiros esponjas, resolveu mesmo sem gostar, mudar para o ron  montila, só assim, tinha como facilmente contar as suas doses e pagá-las separadamente. A mudança surtiu  efeito e rendeu muita satisfação com a economia obtida, apesar da forte azia (gastrite) adquirida.

E assim, caminham os avarentos da vida: felizes e realizados.

Uma outra vez, estava eu, em uma tarde noite, em uma boa roda de conversa em um bar/restaurante, em companhia de um outro mesquinho, quando o garçom passou com um pratinho recheado de cheirosos e apetitosos bolinhos de bacalhau. O mão fechada, chamou o garçom e pediu um pratinho de bolinhos. O pedido foi feito e em pouco tempo chegaram os deliciosos  bolinhos, com  uma configuração bem ornamentada e muito apreciável e distribuída  no prato: muito alface, tomate em rodelas e mais algumas outras folhas verdes.

Vendo aquela beleza colorida de prato, o cliente mesquinho espantado e desconfiado exclamou:

 – Me, me diga uma coisa, essa boniteza, esse enfeite, todo essas folhas verdes, não é para aumentar o preço do prato, é? Se for, pode tirar tudo e trazer só os bolinhos no prato limpinho!

O garçom espantado e surpreso respondeu:

– Não, não  senhor!  Pode ficar tranquilo, não vai ter nenhum acréscimo.

– Sendo assim, pode, pode, deixar na mesa!

E assim, caminham os avarentos da vida: felizes e realizados.

Oh! Bichos miseráveis!!!

Berilo de CastroMédico e escritor

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