NOSSOS SILÊNCIOS –
“Ninguém sabe o que tem por trás da alma” (Conceição Barros).
Ultimamente tenho desejado experimentar um silêncio mais duradouro.
E para tal resolvi fazer um pequeno “laboratório” aproveitando o deslocamento de casa até ao colégio onde meu neto Lucas vai “escrevendo” o caminho do seu conhecimento.
Sempre conversando. E esses papos não têm limites; imagine que na última vez antes do “silêncio a que me proponho” esboçamos o seu discurso como futuro orador quando da sua formatura. Ele ouvia atentamente e apenas um sorriso respeitoso e interrogativo foi sua resposta.
Teria eu condições de emudecer por um tempo?!
Com o passar dos anos, venho percebendo que os fatos, as coisas e as pessoas vão se amoldando a um novo plano perceptivo, ao mesmo tempo em que há uma melhoria do autoconhecimento tornando a vida mais prática.
É como se não fosse mais preciso colocar as palavras à frente dos nossos desejos e realizações imediatas. É como se os pequenos silêncios que praticamos em nossa trajetória fossem alongando-se, ao ponto de nos colocar em situações de sentinelas emocionais.
Ao mesmo tempo, o silêncio é atrativo e aterrorizante, capaz de sugerir a face da paz e recolhimento, e do medo e solidão.
Alguns chamam isso de “a tal da maturidade silenciosa”.
A escala que habitualmente somos incitados a utilizá-la nos outros não vai se modificando ante nossa expectativa, mas certamente as medidas serão melhores e menos exigentes que antes.
Não significa que desejamos e nos importamos menos com o melhor do outro. Não mudamos nossos valores, não perdemos os amores, no entanto, as lentes do nosso silêncio, delinearão melhor a silhueta do bem e do quanto somos imagem e semelhança de Deus.
A ideia do silêncio não é afeita a maioria de nós. Ao experimentá-lo somos chamados a ouvir sons que não se aproximavam de nossos pensamentos e isso pode nos amedrontar, pois as ansiedades mais profundas pedem espaços para ocupar, agora, o silêncio de nossa consciência -, e isso causa medo em nossos corações.
O silêncio é necessário para escutarmos e percebermos as graças que Deus nos manda nas pequenas coisas.
Porém é preciso estar atento para não fazer do silêncio um simples refúgio para se esconder, para guardar acontecimentos e aprisionar sentimentos, pelo fato de não gostar de expor os conflitos internos que nos angustiam e nos maltratam, ao ponto de deixá-los quietinhos no recôncavo da alma.
Cuidado! Isso pode destruir aos poucos a nossa paz e, quando menos esperarmos, esse silêncio passa a ser ensurdecedor.
É preciso aprender, também, na medida certa, deixar alguns desses silêncios sair, para que não percamos a capacidade de sermos nós mesmos.
Certamente existem coisas que precisam ser guardadinhas e ficar só dentro de nós, mas acumular muitos silêncios e, ficar constantemente buscando-os para as prateleiras do convívio diário afetando seus sentimentos, pode gerar emocionalmente um conflito espiritual.
O mundo do silêncio exige respeito. Nele não cabem mentiras. Há a hora certa do silêncio e das palavras. No silêncio estamos perto de Deus, nas palavras estamos compartilhando-O.
Não confunda “silêncios” com “segredos” – enquanto o primeiro é um estado de espírito, o segundo é uma forma de conveniência.
Mesmo em silêncio é preciso cuidar do outro.
Não tema o silêncio, tema o barulho sem significado.
Carlos Alberto Josuá Costa – Engenheiro Civil, escritor e Membro da Academia Macaibense de Letras, josuacosta@uol.com.br
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