NORDESTE, NAÇÃO DA ESPERANÇA – José Alberto Maciel de Oliveira

NORDESTE,NAÇÃO DA ESPERANÇA –

Chovia torrencialmente, na área de nossa casa, as conversas giravam em torno do inverno que tinha acabado de chegar ,tão peculiar. Eu, ainda criança ficava escutando as afirmações de todos os presentes, cada um com sua opinião e conjecturas as mais diversas, todas debatidas com atenção e respeito, afinal, era um assunto inerente a todos e todas as energias e esperanças estavam depositadas em um ano bom de inverno.

Daí surgiam diversas opiniões:
-a barra do dia está quebrando mais cedo
-esse ano vaí ser bom de pasto,a babugem já está pegada
-as formigas cortadeiras já fecharam o buraco,mode a água não entrar
-os maribondos estão reforçando a sua moradia
-a água do riacho está morna
-a barra do poente está mais vermelha
-o vento leste tá mais brando
-a floração das mangueiras é pouca
-o marmeleiro floriu mais cedo
-o juazeiro tá carregado
-o suor dos burros e cavalos está com uma baba branca
-a mata tá fumando no quebrar da barra
-o calor está com um suor peguento

E assim esse tema era debatido até a exaustão, dali surgiam sonhos e esperanças num ano bom de chuvas,que muitas vezes não se concretizaram,mas,a esperança continuava que no próximo ano o inverno seria bom,onde haveria muita fartura ,que superará todas as mazelas vividas em anos anteriores.

Realmente, o nordestino é trabalhador e vive sempre na esperança de dias melhores, sua fé o mantém preso nessa lida e sofrimento ao longo dos anos sem atentar que o maior responsável por tal situação é o governo brasileiro que esquece de olhar para uma região onde poucos e bem aplicados investimentos a transformariam em um celeiro exportador de produtos agrícolas mais diversos. Nosso solo tem muita água armazenada e além disso, trazer água da região norte (bem próximo),não custaria tanto ,em relação ao custo/ benefício.

Na realidade a situação nordestina ,nossa miséria tão peculiar aos olhos do Brasil, seria fácil de resolver, bastando apenas que nos olhassem como parte dessa nação e investissem ao menos parte do imposto que nos levam, em obras contra a seca. Em pouco tempo seríamos uma região próspera, sem miséria e com o nosso homem fincado em suas terras, feliz e de barriga cheia ,onde menino como eu fui, escutaria histórias de Trancoso ou bem aventuranças, e não de esperanças que nunca chegam ou se cumprem.

 

José Alberto Maciel OliveiraRepresentante comercial aposentado
As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
Ponto de Vista

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