NOÇÃO DE SUFICIÊNCIA –

A expressão latina ne quid nimis pode ser traduzida como “nada de excessivo”. A maioria dos muito ricos não aprenderam essa lição fundamental.

Segundo a imprensa, o bilionário Jeff Bezos irá gastar quinhentos milhões de dólares para refazer uma ponte histórica, do século XIX, a fim de possibilitar a passagem do seu iate até Roterdã. Infelizmente, a Holanda não tem uma instituição como o nosso Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) que pudesse proibir essa lesão ao patrimônio histórico.

Jeff possui fortuna equivalente a um trilhão de reais. A realização desse capricho, com toda certeza, não porá fim aos seus desejos sem limites. Ao ser frustrado, não se sentirá feliz. De fato, não percebe que, sem compartilhar com os outros, não existe felicidade.

O milionário nem pensou em destinar parte dessa dinheirama para a alimentação, saúde e educação de populações carentes. Semelhante a outros – Bill Gates, Elon Musk, Warren Buffett etc. -, não é capaz de raciocinar que há unidade, que todos somos um, que juntos somos parte da humanidade.

O caso da ponte de Jeff Bezos, fez-me lembrar de um animalzinho em Nova Cruz. Meu pai, observando um pobre jumento que comia a grama nascida entre as pedras do calçamento, na rua, refletiu exemplarmente. Disse-me que o jumento era mais sábio do que a maioria dos homens: “tem a noção da suficiência”. As pessoas sempre desejam mais. Quanto mais têm, mais querem, numa insatisfação incontrolável.

Para essas criaturas desalmadas, nada é excessivo. Nem o luxo, nem a riqueza vã. Não sentem o sofrimento causado pela miséria. Não enxergam a beleza que nos rodeia. Lembro-me do poeta Pablo Neruda dizendo que conheceu um homem rico, tão pobre, que nunca teve tempo de olhar um crepúsculo. Jesus Cristo nos ensinou a olhar a beleza nos campos, as xananas de lá. Igualmente, o Divino Mestre nos mandou amar o próximo.

A beleza é alimento da alma. Contudo, a ganância distorce a realidade, dando importância, somente, ao desejo insaciável e à utilidade sem sentimentos. Não custa viver, apenas, com o que é absolutamente necessário. Assim teremos a exaltação de bem viver e do conviver solidário.

 

 

 

 

 

 

Diogenes da Cunha Lima – Advogado, Poeta e Presidente da Academia de Letras do RN

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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