NEM TODA DOR VIRA PALAVRA: A LINGUAGEM SILENCIOSA DA CRIANÇA EM TRATAMENTO – Gilvania Guedes Teixeira Véras

NEM TODA DOR VIRA PALAVRA: A LINGUAGEM SILENCIOSA DA CRIANÇA EM TRATAMENTO –

Quando uma criança adoece, seu corpo fala — mas nem sempre com palavras. O olhar distante, o silêncio repentino, o choro sem explicação ou o desenho carregado de símbolos, são formas de expressão, que revelam um mundo emocional complexo. No contexto hospitalar e em casas de apoio, como a Casa Durval Paiva, é fundamental reconhecer essas linguagens silenciosas, para oferecer um cuidado verdadeiramente integral.

Crianças em tratamento de doenças crônicas, enfrentam uma série de desafios emocionais, que, muitas vezes, não conseguem verbalizar. Segundo um estudo de Silva et al. (2023), intervenções psicológicas em ambientes hospitalares, como atendimentos individuais e atividades lúdicas, são fundamentais para auxiliar na expressão emocional das crianças, promovendo o bem-estar psicológico, durante o tratamento.

Na Casa Durval Paiva, o setor de Psicologia realiza atendimentos individuais, intervenções pontuais, atendimentos beira-leito no hospital, grupos de crianças e adolescentes, bem como, atividades lúdicas, proporcionando um espaço seguro para que os pacientes expressem seus sentimentos e enfrentem o processo de adoecimento, de maneira mais saudável.

Além disso, o brincar se torna um contraponto às experiências dolorosas da hospitalização, permitindo que a criança transponha as limitações impostas pela doença. De acordo com Oliveira et al. (2022), atividades lúdicas estruturadas contribuem, significativamente, para a redução da ansiedade e do estresse, em crianças hospitalizadas. As ações desenvolvidas pelo setor de Psicologia da Casa Durval Paiva, como os grupos terapêuticos e as propostas lúdicas, são essenciais na promoção da saúde mental infantil e na sustentação da subjetividade, durante o tratamento.

Reconhecer e valorizar as formas não verbais de comunicação das crianças em tratamento é um passo essencial para um cuidado mais humano e eficaz. Ao escutarmos, com atenção, o que é dito através do silêncio, do brincar e da arte, podemos oferecer suporte emocional adequado, fortalecendo a resiliência e promovendo o bem-estar, durante o processo de recuperação.

As atividades ofertadas na Casa Durval Paiva são mais do que recursos terapêuticos — são pontes, que respeitam o tempo e o modo como cada criança comunica sua dor e sua esperança.

 

 

 

 

Gilvania Guedes Teixeira Véras – Psicóloga Casa Durval Paiva – CRP: 17/4268

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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