NAYIB BUKELE E O BRASIL –

Nayib Bukele é o atual presidente de El Salvador, uma pequena nação da América Central com cerca de 6,4 milhões de habitantes, conhecido pelo combate e extinção das gangues salvadorenhas e por haver reduzido a taxa de homicídios para 1,9 por 100.000 pessoas, número inferior ao de qualquer outra nação latino-americana.

Ao estabelecer no país o Estado de Emergência o presidente declarou guerra ao crime organizado enquanto construía uma prisão de segurança máxima conhecida como Alcatraz da América Central, com capacidade de abrigar 40 mil marginais – dados apontam para a existência 1,7% da população do país encarcerada.

Ao ser reeleito presidente de El Salvador em 2024, Bukele concedeu entrevista a jornalistas estrangeiros no dia 5 de fevereiro daquele ano, oportunidade em que foi questionado por repórter da Jovem Pan. Foi-lhe perguntado como ele tratava a segurança pública no seu país já que esse é um dos maiores problemas do Brasil.

Sua resposta: Acredito que El Salvador mostra ao mundo que todos os problemas podem ser resolvidos quando há vontade política.  Bem, aqui estamos resolvendo o maior problema do país e agora estamos a caminho de resolver os outros.

E mais adiante: …Mas o que incomoda é que El Salvador mostra que tudo pode ser feito com vontade. E que quando um país não resolve seus problemas, especialmente de criminalidade, é porque não há vontade de resolvê-los e, em alguns casos, porque são parceiros dos criminosos. Então é óbvio que eles não atacarão seus parceiros…

…Atacar o crime tem muitos custos, mas o primeiro custo para um negócio de criminosos e perder seu negócio. Tem de ser alguém que não se importe com os criminosos e que esteja disposto a quebrar a economia criminosa.

E concluiu, afirmando: …O caso de El Salvador um país tão pequeno, tão pobre, estar resolvendo seus problemas com vontade política e o apoio do povo pode servir de exemplo? Sim! E é por isso que esse exemplo pode ser aplicado no Brasil e em qualquer país do mundo.

Atitudes como aceitar a reeleição ilimitadamente, incentivar o êxodo de jornalistas contrários ao seu governo, além do fato de não se importar de ser tachado de ditador pesam sobre Bukele à frente da governança de El Salvador. Porém, a seu favor está a aprovação da maioria do país por acabar com o crime organizado.

Ao vermos os exemplos de contravenções de toda ordem e a penetração sub-reptícia em diversas camadas da sociedade e da economia do estado brasileiro bem que cabe a pergunta: Vale ou não a pena aplicar o modelo radical de El Salvador enquanto há tempo para tanto?

Nada de regimes assemelhados ao de El Salvador, permitindo mandatos ilimitados, porém a medida radical adotada por Nayib Bukele está estancando a criminalidade num país onde ela reinava absoluta até pouco tempo atrás.

Segundo ele, trata-se apenas de vontade política e determinação para acabar com a impunidade em todas as instâncias da sociedade. Eu acrescentaria a essa assertiva o apoio popular que ocorreria de imediato.

 

 

 

 

 

 

José Narcelio Marques Sousa – Engenheiro civil

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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