NATAL, PARNAMIRIM, NORMANDIA E A II GUERRA MUNDIAL – Ney Lopes

Natal, Parnamirim, Normandia e a II Guerra Mundial

Seria surrealismo imaginar a possibilidade de governador do RN e vereador de Natal irem à Washington DC, falarem com o Presidente da República na Casa Branca e um senador no Capitólio, sensibilizando-os para temas ligados ao nosso Estado? Esses fatos já ocorreram, no passado.

Nos anos 60, o governador Aluízio Alves realizou o que parecia sonho. Pegou um avião e foi pedir a ajuda do presidente John Kennedy para a educação estadual.

Além de liberar os dólares, Kennedy e sua esposa Jacqueline marcaram visita à nossa cidade, em dezembro de 1963.

Segundo o jornalista Sebastião Nery, “destacamento precursor” da presidência dos Estados Unidos veio a Natal preparar a visita oficial. A viagem morreu, no dia 22 de novembro de 1963, quando uma “bala explodiu na cabeça de Kennedy”.

Dois anos depois, em 1965, outra prova de arrojo e determinação partiu do então vereador natalense Felinto Rodrigues Neto, que, por iniciativa pessoal, em gratidão ao gesto solidário de Kennedy, colocou o busto do Presidente americano, na praça que recebeu o seu nome, no centro da cidade, em solenidade no dia 1° de maio, na presença do poderoso Embaixador americano Lincoln Gordon.

Antes, Felinto deslocou-se à Washington DC e convidou no Capitólio, o senador Ted Kennedy para que representasse a família na homenagem. Impossibilitado, o senador garantiu que o seu irmão Robert Kennedy incluiria Natal, na visita que faria ao Brasil.

Cumpriu-se a promessa e em 22 de novembro de 1965, Bob Kennedy aqui chegou, em companhia da esposa Ethell e colocou coroa de flores no busto do irmão.

A propósito da determinação de Aluízio e Felinto há anos faço uma indagação pública, através de pronunciamentos na Câmara dos Deputados, artigos publicados no “Poti”/ “Gazeta do Oeste” e  proposta objetiva formulada em 2004, quando disputei a Prefeitura de Natal: “nas Américas, qual o local que teve participação mais expressiva e  estratégica na II Guerra Mundial, na defesa da Democracia, do que Natal e Parnamirim, com a instalação da maior base da Força Aérea norte-americana, em território estrangeiro”?

Recentemente, acompanhei na mídia, o encontro entre os presidentes dos Estados Unidos e da França.

A semelhança das homenagens que se repetem na Normandia, por que o governo do RN e o “trading turístico” (exemplo de empreendedorismo) não planejam em Natal “Encontro dos presidentes do Brasil e dos Estados Unidos”, que homenageasse a histórica “Conferência do Potengi”, realizada em 28 de janeiro de 1943, entre o presidente Getúlio Vargas e o presidente Franklin Delano Roosevelt?

Quando se fala em II Guerra Mundial, não se pode negar a importância fundamental para a vitória “aliada” de dois locais: a praia de Omaha, na Normandia e as cidades de Natal e Parnamirim, no Brasil. No chamado dia “D” morreram combatentes na França.  No “Grande Natal” evitaram-se catástrofes fatais para o futuro da humanidade. Hitler já projetara invasão da cidade de Natal, como meio de montar “trampolim de apoio” no ataque maciço ao canal do Panamá, seguido do território americano. A instalação de unidades militares (Base Naval e Parnamirim Field) abortou o plano nazista e viabilizou o apoio às centenas de aviões, que dia e noite pousavam e decolavam, transportando suprimentos para as frentes na chamada “guerra do deserto”, no norte da África, em resistência ao Eixo (união da Alemanha, Itália e Japão) que avançava.

A posição estratégica global da cidade de Natal atraiu o Presidente Roosevelt, que a bordo de um “destroyer” americano, atracado na “Rampa” (bairro das Rocas), firmou acordo com o Brasil, nascendo à heroica Força Expedicionária Brasileira (FEB).

O “encontro dos Presidentes na Rampa e em Parnamirim” (e convidados especiais), em pleno século XXI atrairia o interesse de turistas de todo o mundo, principalmente norte-americanos, que visitariam a terra onde os seus antepassados ofereceram a própria vida, em defesa da liberdade. Além disso, seria uma forma de resgatar a memória nacional, aliás, pouco lembrada, a partir do descaso com que, por exemplo, é cuidado o único Monumento do Brasil no exterior, o Cemitério de Pistóia (Itália), onde foram sepultados 462 brasileiros mortos em combate. Visitei o local e constatei o abandono total na conservação da área.

Está aberto o debate: prós e contras. Se aceita a sugestão, Natal ganharia o status de “cidade de eventos”, que consolidaria o nosso turismo.

 

Ney Lopes jornalista, ex-deputado federal e advogadonl@neylopes.com.br
As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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