“Caminhando e cantando e seguindo a canção.” Assim é a vida. Uma canção que devemos saber cantá-la seja ele triste ou alegre.
Assim escrevi minha canção, e assim continuo a cantá-la. Nasci e me criei em Natal. Meus irmãos, filhos e amigos também, Natal que eu vivi era para mim a cidade mais bonita do mundo, mundo este construído com amor e honestidade.
Não digo que hoje é uma cidade Feia, mas não mais com aquele ar bucólico de antigamente das pequenas cidades. Tornou-se uma cidade violenta, tanto de dia como de noite. Faz muito tempo que não contemplo o luar, já não escuto mais os seresteiros pelas madrugadas. Tudo que amei, esfumou-se.
Na minha juventude o Grande Ponto era o ponto de encontro preferido dos homens, rapazes e senhores. Fazíamos rodas de “papo” pelas calçadas durante o dia e a noite, íamos também para a avenida. O Grande Ponto era em toda extensão da Avenida João Pessoa, mas a sua concentração maior era entre a Rua Princesa Isabel e o Beco da Lama. As moças geralmente “desfilavam” à tardinha, pois lá tinha a Confeitaria Mirim de João da Mirim, o Bar e Lanchonete Dia e Noite – onde terminávamos as madrugadas. Lá tinha um garçom que ficou famoso pelo apelido – Gasolina- as delícias eram a cartola, o bauru, o cachorro quente, e os “ovos fritos” prato predileto de Artuzinho Ferreira, grande craque de futebol de salão, que gritava – Gasolina suspenda os ovos e passe a língua. Tinha também, as sorveterias e lanchonete Kichou e a Oasis, a Choperia do Chiquinho, do velho amigo Chico Chope. La na frente próximo a Rua Princesa Isabel um caldo de cana também famoso, em frente ficava uma parada de ônibus onde se concentravam moças de vários colégios. Tinha as praças de taxi Hillman, de carros pequenos que ficava na esquina da Princesa Isabel e a outra de veículos maiores que ficava na Av. Rio Branco próximo a Rua Princesa Isabel. Existiam também outros pontos comerciais, entre eles o Foto Jaeci Galvão, Lojas Varig e Vasp, Confeitarias Cisne e Vesúvio, o Café Maia, lojas de roupas, masculinas e femininas, farmácias, sapatarias, e outras que não recordo os nomes. Tinha o Cine Nordeste, tão bem freqüentado quanto o Cine Rio Grande e o Cinema Rex, esses dois últimos fora do Grande Ponto.
Saindo do Grande Ponto, íamos fazer serenata para namoradas ou amigas, já que amante na época era raríssima. O nosso quarteto era formado por Jovelino Marques Campos, Odemar Guilherme Caldas Junior, Saddock Albuquerque e eu. Mas, também íamos ouvir os mais velhos seresteiros, entre eles Guaracy Picado, Gil Barbosa, Cezimar Borges, Antonio Sete Cordas, José Luiz Leal, Eimar Villar.
Natal bucólica, das ruas tranquilhas. Podia-se caminhar à noite tocando um violão e cantando sem ser incomodado. Natal dos cabarés famosos, Maria Boa o mais divulgado, Rita Loura, Virginia, Otávio, Ideal, Marlene e outros. Natal de minha juventude, que tanto vivi, fiz bons amigos, e também fiz parte da minha história.
Guga Coelho Leal – Engenheiro e escritor
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