NÃO HÁ FAVORITO EM ELEIÇÃO, NEM JOGO DE FUTEBOL – Ney Lopes

NÃO HÁ FAVORITO EM ELEIÇÃO, NEM JOGO DE FUTEBOL –

Estamos às vésperas da eleição municipal de 2024.

Ao longo da minha vida pública participei de muitas eleições municipais e aprendi que não existe favoritismo em jogo de futebol, nem eleição.

Nunca foi tão atual a afirmação do ex-governador Magalhães Pinto, de que “a política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”.

A maioria da classe política teima em não enxergar essa realidade, já tantas vezes confirmada nas urnas.

Por isso digo sempre que tire o “cavalo da chuva”, quem pensar que a popularidade do Presidente Lula elegerá prefeitos em massa”.

Em 2004, quem pensou assim, terminou derrotado.

Veja-se: São Paulo (com Marta Suplicy); Rio de Janeiro (com Jorge Bittar); Porto Alegre (com Raul Pont); Ângelo Vanhoni (Curitiba); Nelson Pellegrino (Salvador) e tantos outros.

Em 1985, Fernando Henrique, candidato do então prefeito Mario Covas, perdeu para prefeito de SP na disputa contra Jânio Quadros.

FHC chegou na campanha a sentar na cadeira de prefeito.

Jânio Quadros, o vitorioso, não poupou o gesto precipitado do adversário e no dia da posse desinfetou a poltrona, justificando-se: “porque nádegas indevidas a usaram”.

FHC saiu tão enfraquecido após a derrota, que não tinha condições sequer de candidatar-se a deputado federal.

Terminou Presidente da República.

No RN, Wilma de Faria disputou o Governo do Estado em 1994 e ficou em último lugar.

Perdeu para Mineiro do PT.

Quatro anos depois (1998), Wilma elegeu-se prefeita de Natal.

Eu fui o vice-prefeito.

O adversário deputado Henrique Alves, parecia imbatível, apoiado pelo Presidente da República, governador Geraldo Melo e o prefeito Garibaldi Filho de Natal.

Campanha histórica.

Quatro eleições majoritárias no Rio Grande do Norte pareciam definidas de véspera pelas pesquisas: a de Djalma Marinho para o Senado em 1974; a de João Faustino, Fernando Bezerra e Garibaldi Alves para o governo do estado, em 1984, 2002 e 2006, respectivamente.

Apurados os votos, todos perderam, mesmo tendo apoio de mais de dois terços dos prefeitos estaduais e a indicação de vitória tranquila em pesquisas da época.

No país não há exemplo mais expressivo, do que Jeferson Perez, modesto vereador em Manaus, “cara dura”, que enfrentou dois ex-governadores amazonenses e ganhou para o Senado duas vezes.

Igualmente, Saturnino Braga perdeu para vereador no Rio de Janeiro e dois anos depois se elegeu Senador.

José Serra perdeu duas vezes para prefeito de São Paulo, derrotado por Erundina e Pita.

Em 2006, foi o primeiro governador de SP eleito no primeiro turno.

Os casos concretos citados falam por si.

São válidos para que partidos e candidatos ponham a “barba de molho” e coloquem os “pés no chão”.

 

 

 

 

 

 

Ney Lopes – jornalista, advogado e ex-deputado federal

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
Ponto de Vista

Recent Posts

COTAÇÕES DO DIA

  DÓLAR COMERCIAL: R$ 5,2310 DÓLAR TURISMO: R$ 5,4340 EURO: R$ 5,8850 LIBRA: R$ 6,9220…

2 dias ago

IA impulsiona produção de ataques contra candidatas mulheres nas eleições de 2026

A inteligência artificial (IA) ganhou espaço em uma nova frente da disputa eleitoral: a produção…

2 dias ago

Ações da Nvidia batem recorde e empresa se aproxima de valer US$ 6 trilhões

As ações da Nvidia bateram recorde nesta sexta-feira (2), algo que não acontecia desde maio.…

2 dias ago

INSS vai pagar afastamento para vítimas de violência doméstica; veja quem tem direito e como pedir

Nesta quinta-feira (1º), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou um parecer que…

2 dias ago

PONTO DE VISTA ESPORTE – Leila de Melo

  1- O atacante Raphinha não está lesionado e poderá jogar pelo Barcelona no primeiro…

2 dias ago

EUA suspendem atendimento na embaixada e em consulados do Brasil e alegam ‘questão de segurança’

Os Estados Unidos suspenderam o atendimento presencial na Embaixada dos EUA em Brasília e nos…

2 dias ago

This website uses cookies.