Percebo nitidamente um clima de insatisfação ao meu redor. Vejo a angústia estampada em muitos rostos. Dos letrados aos mais simples, todos os que fazem parte de uma grande parcela da população que ainda ousa se indignar. E que falam, mesmo em petit comité, sobre os descasos causados e fomentados pelos que são os donos do poder. E também pela decantada modernidade.

Ás vezes eu fico pensando cá com os botões sobre a instabilidade do nosso tempo atual e me assusta o que vejo acontecer. Não que eu seja saudosista nem tão velho assim. Mas de fato é notório que o nosso mundo, principalmente o nosso lado ocidental, passa por profundas mudanças, e percebo que elas não são necessariamente benéficas, como querem nos fazer acreditar.

Há um caldo de cultura se estabelecendo no seio da sociedade e não sabemos o resultado final disso. Uma tentativa deliberada de alguns, com o intuito de forçar uma mudança de hábito, a eliminação de verdades pétreas, criando uma situação tal onde não haja limites para nada. É a exacerbação do livre arbítrio, sem medir suas consequências e tampouco se avaliar o que advirá de tanto individualismo irresponsável.

E aí surgem as aberrações. As novas práticas em voga, que ensejam situações as mais bizarras possíveis. Com os que discordam ficando acuados, e os que louvam tais novidades exultando sem o menor constrangimento. Ora, nem tudo que é novo é necessariamente bom. Nem toda a novidade é por si só benéfica. Parafraseando o velho adágio, nem tudo que reluz é ouro.

Mas continuamos convivendo num clima forjado, com a sensação de que às vezes o certo é o errado e vice versa. Época propícia para o desmantelamento do que está estabelecido, Para a proliferação de questionamentos e para a negação das atitudes chamadas conservadoras. Será que tudo precisa de fato mudar assim? Será que tudo o que foi feito é mau ou ruim?

Será essa nova ordem mundial que se estabelece no planeta a mais correta? O que advirá no futuro? Qual a geração que teremos nas próximas décadas?  Realmente desde os tempos remotos, a própria vida e a natureza impuseram rupturas bruscas com o passado. Ora na roupagem de avanços, ora na degradação e ainda na cruel aparição de pragas e desolação. O que presenciamos neste século se enquadrará em qual categoria?

As Escrituras descreveram sobre Sodoma e Gomorra. O mundo ainda não esqueceu as atrocidades da Alemanha nazista e do Fuher. Todos bendizem o tempo do Iluminismo e execram a terrível Idade Media.  O que nos reservará a própria história? Como os moradores do futuro descreverão o atual momento? O que se escreverá sobre essa nossa época?

Nelson FreireEconomista, Jornalista e Bacharel em Direito

 

Ponto de Vista

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